Um espaço pra gente normal falar de filmes, atores, diretores e assuntos afins...
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O pai de todos...

23.1.05


PERTO DEMAIS

Mais um filme pra lista "daqueles que me deixaram catatônico ao sair do cinema"... Perto Demais é uma adaptação de uma peça teatral já encenada no Brasil (com a Renata Sorrah se não me engano, me corrijam por favor caso eu esteja errado) e, é na minha opinião, um dos melhores filmes já feitos em que são mostrados de forma realista e madura os relacionamentos. Um trabalho magnífico não só do texto, como de direção e de elenco.

Mike Nichols volta aos bons tempos de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e A Primeira Noite de Um Homem e conduz de forma inteligentíssima os encontros e desen-contros de quatro pessoas (dois casais). Os diálogos afiadíssimos, as atuações impecáveis, o es-plêndido uso da música, adequadíssimas em todos os momentos do filme, de Mozart e Rossini a The Smiths e Prodigy, passando, orgulhosamente para nós, por Bebel Gilberto cantando Samba da Benção, Tanto Tempo e Mais Feliz na cena do vernissage da fotógrafa... o filme é perfeito! Ficou um embrulho no estômago e um grito engasgado na garganta ao fim da sessão. A arte imitando a vida de qualquer um de nós.

Ao mesmo tempo em que dá vontade de falar tudo sobre o filme, não consigo porque é uma obra pra ser sentida e, com certeza, serão muitas as opiniões a respeito. Ao sair do cinema eu prestei atenção curiosamente a alguns pontos de vista dos outros espectadores e foi bastante interessante (sem considerar aqueles que ousaram classificar o filme como ¿chato¿, ¿sem graça¿ ou ¿nada demais¿... ignoremo-os). E não é difícil ¿sentir¿ Perto Demais porque seus personagens são palpáveis, são ver-dadeiramente humanos, e conseguimos nos identificar em cada um deles, com seus de-feitos, qualidades, conflitos, perversões, angústias, egos... Uma impressionante prova de que existe sim inteligência e sensibilidade no cinema.

Um parágrafo à parte para Natalie Portman. Sou louco por essa garota desde que a vi em O Profissional e sempre achei que ela seria uma das grandes atrizes da nossa época. E cá está a prova: aquela menininha cresceu e virou uma das melhores atrizes atualmente. Eu já esperava algo no mínimo excelente no trabalho dela, mas a cada frame ela conseguia me surpreender ainda mais e mais... e ao final da projeção, junto com o nó e o grito, ficaram também a admiração por uma verdadeira obra de arte do cinema, uma veneração ainda maior pela Natalie (ai se a Academia não indicá-la e não der o Oscar a ela...) e a música que inicia e encerra o filme. Realmente não consigo tirar um filme desse da ca-beça... Desde já um dos filmes da minha vida!

The Blower's Daughter



And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new


Larry: You women don't understand the territory... because you ARE the territory.
Alice: It's not a war.


21.1.05


INFÂMIA

Agradeço ao amigo Gustavo por ter achado para mim na net o poster do filme! Valeu cara!. Infelizmente ele deixou de ser reprisado na TV há anos... Tive a oportunidade de vê-lo numa daquelas madrugadas em que a Globo terminava sua programação (que não era durante 24 horas) com grandes clássicos do cinema. E depois tive a felicidade de assistí-lo de novo... mas só... Ficou na memória um grande filme que também não foi lançado aqui no Brasil nem em VHS ou DVD e que me marcou.

A história é a seguinte: num colégio para meninas, surge o boato (da boca de uma das alunas) de que duas das professoras (interpretadas pelas grandes Shirley MacLaine e Audrey Hepburn, perfeitas) têm um caso amoroso. A fofoca vai crescendo e a repercussão da história abala as vidas deas duas mulheres.

O filme me chocou por mostrar aquilo que sempre foi negado: a maldade nasce sim com o ser humano, é inerente a ele. O caráter não vem somente da família, e sim da natureza da pessoa. E isso o filme mostra muito bem, expondo a má índole da menina que, para a sociedade em geral, por ser uma criança, ainda é um poço de inocência e candura. Outros filmes mostram isso também, como As Bruxas de Salem. No mundo em que vivemos atualmente, onde pais criam filhos tiranos, seria de extrema importância qque as pessoas vissem filmes como esse e se tocassem para orientar melhor suas crianças, os famosos "filhinhos de papai" que têm tudo nas mãos, para que não se tornem adultos deploráveis como tantos que estão por aí... e que têm a capacidade de chegar ao poder (o que é mais assustador ainda!).

Karen: All this isn't true. You've never said it; we'll forget it by tomorrow.
Martha: Tomorrow? That's a funny word. Karen, we would have had to invent a new language, as children do, without words like tomorrow.

15.1.05



AMADEUS

Sempre gostei de acompanhar a festa do Oscar. Na de 1985 um filme se destacou não somente por ter sido o grande vencedor do ano, mas também porque antes da transmissão, mostrouram uma enquente feita entre os americanos perguntando-lhes qual era o seu filme favorito daquele Oscar: a unanimidade disse Amadeus. O filme demorou MUITO para estrear no Brasil, se não me engano foi só em 1986 mesmo e lá fui eu matar a minha curiosidade...

Foi paixão à pimeira "assisitida"! Gente, me lembro até hoje da sensação que tive ao ver aquele filme no cinema, um misto de emoção, espanto, diversão, encantamento... Embora a história, baseada numa peça teatral, não seja fiel à realidade, o filme é tão bem orquestrado que nos faz crer que foi daquele exato jeito que tudo aconteceu. Salierei era a cara do F. Murray Abraham, Mozart era igualzinho (e ria como) o Tom Hulce...

Não satisfeito, fui assistir o filme mais duas vezes no cinema, sempre com a mesma admiração. O cuidado tomado com a direção de arte, que nos transporta para a época, assim como os figurinos, a precisão e inteligente uso da montagem, a fotografia genial... Uma obra-prima perfeita que depois foi revista várias e várias vezes em vídeo e DVD, uma aula de cinema, um marco, uma declaração de amor à musica em geral e à genialidade de um artista em particular.

P.S.: neste Natal ganhei um livro até muito legal, Falha Nossa - As Maiores Gafes do Cinema, e nele são resgistrados 3 erros em Amadeus: 1- aparece alguém de calça jeans atravessando o palco de um teatro durante uma apresentação de uma ópera; 2- durante uma apresentação, Mozart toca uma melodia ao estilo de Bach, o que seria impossível em 1780 já que Bach foi completamente esquecido de 1750 até 1800; 3- e mais um errinho de continuidade quando Mozart está experimentando perucas - uma hora seu rosto está sujo de talco, na outra não... Para mim, nada disso tira a majestade do filme!

Salieri: (descrevendo a maestria de Mozart) Displace one note and there would be diminishment, displace one phrase and the structure would fall.


5.1.05


A PEQUENA LOJA DOS HORRORES

Primeiro post do ano! Êeeeeeeeeeeehhhhhhhh!!!!!!!!!!!! E também o primeiro em muito tempo... Gente, é que eu estava TOTALMENTE, quase que 24 horas por dia, dedicado ao meu portfólio. Aproveito a deixa e anuncio: autores e editores literários (e quem os conheça), EU QUERO TRABALHAR FAZENDO CAPAS DE LIVROS E ILUSTRAÇÕES DE HISTÓRIAS INFANTIS!!!! Depois de feitos a justificativa e o anúncio, vamos ao post...

Dia desses eu estava conversando com um amigo no MSN e ele e disse que não tinha muita paciência para musicais. Não é exclusividade dele, há muitos anos muita gente não tem. Já foi, ao lado do western, um dos grandes gêneros que Hollywood produziu. Mas os anos 60 trouxeram um público que não estava mais muito a fim de ver gente cantando e dançando nas telas... Ultimamente as coisas têm mudado e o gênero vem se revigorando, para o deleite dos fãs. Não que ele tenha tido uma morte, mas a produção não era em grande escala como na década de 50 principalmente. Foi Moulin Rouge que deu ao musical o seu status de volta. A consagração definitiva foi com Chicago, vencedor de vários Oscars (ou Oscares, sempre fico em dúvida em relação ao plural) e taí o musical como grande gênero de novo.

Desde o início do seu declínio até a sua retomada com os exemplos acima citados, foram poucos os produtores que ousaram investir em musicais. Alguns foram bem sucedidos, outros nem tanto. Mas de vez em quando rolava unzinho pra satisfação da turma. E na década de 80, mais precisamente em 1986, veio A Pequena Loja dos Horrores, um filme extremamente delicioso e divertido apesar do título. Na verdade o filme é uma adaptação de uma adaptação... Primeiro veio, em 1960, The Little Shop of Horrors, de Roger Corman, uma produção super barata que levou meros 2 dias para ser filmada! Deste veio uma peça musical encenada off-Broadway e daí então o filme em questão.

O funcionário de uma floricultura compra uma planta exótica e a leva para a loja em que trabalha, onde a mesma se torna uma atração especial. Um dia Seymour descobre acidentalmente que a planta é carnívora e fala (e, conseqüentemente, como este é um musical, também canta)! Ele providencia a alimentação de Audrey II - nome dado em homenagem à amada de Seymour, Audrey, que também trabalha na loja mas já é comprometida - e a planta cresce mais e mais a cada dia, tornando também maior a sua fome...

O filme é conduzido por um trio de cantoras no estilo The Supremes que narram a história com canções (os personagens também cantam). As músicas são ótimas, compostas pelo mesmo Alan Menken que levou uma penca de Oscars (de novo!) na década de 90 por alguns desenhos da Disney. O elenco é mais que perfeito, desde os personagens principais até aqueles que fazem participações especiais, com destaque ao dentista sádico Orin Scrivello de Steve Martin e seu personagem masoquista interpretado por Bill Murray. Duas curiosidades: a atriz Ellen Greene é a única do elenco oriunda da produção teatral e este é um dos dois únicos filmes em que um personagem de Steve Martin morre.

Todo rodado em estúdio, o filme foi indicado a dois Oscars (ai meu Deus...) nas categorias Melhor Canção (para Mean Green Mother from Outer Space, composta especialmente para a produção) e Efeitos Visuais. Audrey II é realmente um primor em termos de animatronics, com movimentação super-natural tanto na sua "cabeça" (e reparem os lábios) quanto nas raízes/tentáculos. Em seu estágio adulto, Audrey II media na realidade o tamanho de um Fusca!!! Imaginem quantos técnicos não eram necessários para a manipulação da plantinha? Na época a computação gráfica estava engatinhando ainda...

Fico por aqui... Vou escutar mais um pouquinho da trilha... hehehe! Feliz 2005 pra todos e até a próxima (que, espero, será em breve)!!!

Audrey: (comentando o desaparecimento de seu namorado Orin, o dentista sádico e violento) It wouldn't be terrible at all. It would be a miracle. Now to mention the money I'd save on epsom salts and ace bandages.