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O pai de todos...

29.10.04
O que eu disse há alguns posts atrás? Aquele teaser-poster do próximo Star Wars era falso... Hoje foi divulgado oficialmente o primeiro. Confiram:



21.10.04


TERRA DE SONHOS

Assim como filme com bichos, filmes com crianças também me fazem "desaguar" quando bem feitos e bem contados como Terra de Sonhos. Não que seja um filme infantil, nem muito menos um filme em que crianças são estrategicamente usadas para arrancar rios de lágrimas nos espectadores. Mas um filme sincero, humano, em que o que importa são as vidas de seus personagens. E personagens vividos por atores tão surpreendentes se tornam não só parecidos com várias pessoas que conhecemos, como também quase um retrato de nós mesmos. Hoje, quase duas semanas depois de ter assistido Terra de Sonhos em DVD (infelizmente perdi quando passou nos cinemas, apesar de sempre ter tido muita vontade de vê-lo) eu tive um lampejo e vi o que faz desse filme um espelho do que somos.

A história de uma família irlandesa que vai para os Estados Unidos pode não ser tão estranha assim, todos conhecemos (ou já fomos) pessoas que procuram oportunidades melhores fora de suas cidades. O ator Johnny leva a esposa e as duas filhas para Nova York para tentar a vida e também como uma fuga de seu triste passado recente: a morte do filho mais novo do casal. Na grande metrópole, os problemas de sempre, mas ao mesmo tempo com um toque que humaniza a história ao extremo: a forma como os relacionamentos são tratados no filme. Excelentes diálogos, grandes interpretações e ótima direção.

Não dá pra falar muito no filme, porque apesar da simplicidade da história (baseada em fatos reais, na vida do diretor e roteirista Jim Sheridan, o mesmo de Em Nome do Pai e Meu Pé Esquerdo), ela não é pra ser apenas assistida, mas também sentida. E isso Sheridan conseguiu tocando exatamente onde deve a cada um de nós, na hora certa, na medida exata. E que meninas lindas e talentosas as duas que interpretam as filhas de Johnny!

É a velha história (que muita gente considera) piegas do "amor que tudo vence" e a gente acha que é coisa de filme. Hoje eu vi o que é a importância da força que nós temos para tentarmos preservar as pessoas que a gente ama, e o quanto é imenso o esforço que nós fazemos para mantermos vivo aquilo em que acreditamos. E também o quanto é gratificante ver um pouquinho que seja do brilhinho dos olhos retornar depois de um breve e inesperado período que a gente sempre reza e faz por onde pra que ele passe rapidinho... ;o)

Christy: It's not "José, can you see", it's "Oh say, can you see".

7.10.04
Foi divulgado hoje um primeiro poster-teaser do próximo capítulo da saga Guerra nas Estrelas. Não se sabe ainda se é mesmo oficial ou não, já que inúmeros fãs têm a mania de criar posters para os filmes (me lembro de um do Episódio II que era sensacional). Em todo caso, vai abaixo a imagem do que seria a primeira chamada para Guerra nas Estrelas - Episódio III: A Vingança do Sith. E aguardemos até maio do ano que vem!



6.10.04


ELEIÇÃO

Não, não foi por causa do nosso momento político que me lembrei de Eleição. Foi lendo uma série de cometários no blog Cine Classic que me veio a idéia de falar desse filme. Até já comentei sobre as classificações de filmes como "clássicos", "pipoca" e etc anteriormente, mas depois do que li nos comentários daquele blog fiquei pensando muito a respeito do assunto... Gente, há realmente a necessidade de se classificar filmes dessa forma? Eu não acho que seja uma coisa muito legal ficar falando por aí que "americano só faz filme ruim" e coisas similares. Será que todo filme que vem dos Estados Unidos é realmente ruim? Os outros países só fazem filmaços? E todo filme dito clássico é maravilhoso e os mais novos são descartáveis? Pelo que eu já vi (não foi tudo, mas já foi bastante coisa), me nego a falar essas coisas. Filme bom sempre existiu e existirá, produzido em qualquer época e lugar. E filme ruim também! Gente, pelamordedeus... não me venham falar que tudo o que foi feito em preto e branco e na primeira metade do século XX, geralmente classificado "cinema clássico", era excelente porque não era MESMO! E depois do advento da cor e das novas técnicas também foi feito muita coisa horrível, mas também muita coisa boa. Não sei, posso estar equivocado, mas acho que esse negócio de ficar falando da supremacia do cinema americano que assola o mundo e tal uma coisa de "gente que não tem capacidade" ou até mesmo, desculpe-me pela expressão, "não tem culhão". Os americanos dominam as telas porque a produção cinematográfica deles é mesmo industrial e para exportação. Do mesmo jeito que a Globo vende suas novelas para o mundo todo (e daqui a pouco vai acontecer o mesmo com os filmes), que a China vende suas quinquilharias... Todos vendem seus peixes. E nem toda novela da Globo é digna de ser vista por multidões como são, nem todos os gadgets chineses são de extrema necessidade que ninguém possa viver sem... e ainda assim continuam sendo exportados e consumidos aos montes. E temos também que parar de falar que nossos produtos são ótimos só porque são nossos. Temos que reconhecer sim o que é bom, e também o que não é, e não ficar nesse protecionismo idiota de achar que qualquer porcaria que um brasileiro faça é superior ao "enlatado americano". ATENÇÃO: não estou protegendo os americanos nem desfazendo dos brasileiros (ou qualquer outra nacionalidade). Só não acho bom ficarmos generalizando e tachando os filmes como bons ou ruins pela sua época, nacionalidade ou prosposta. Há filmes dito "clássicos" excelentes e há fenomenais porcarias, assim como há "filmes pipoca" ótimos e outros horrorosos também.

O discurso ficou grande, vamos ao filme em questão. Em 99 surgiu Eleição, uma inteligentíssima e ácida crítica à política e à sociedade capitalista em geral e a americana em particular. Por trás da cara de "filme pipoca", encontra-se uma das melhores comédias já realizadas, com um roteiro esperto (indicado ao Oscar), direção brilhante e atuações memoráveis. Tracy Flick é uma irritante patricinha americana que concorre à eleição de líder estudantil. Seus adversários aparentemente não têm chance alguma de vitória perto dela, que se dedica à campanha de corpo e alma. O professor Jim McAllister nutre pela aluna uma antipatia compartilhada pelos espectadores e apóia qualquer um que esteja contra ela. Só que sua vida vira um redemoinho desde o início da campanha eleitoral e, mesmo assim, ele continua fazendo de tudo para impedir que sua desafeta não ganhe a votação.

Comédia adolescente? Produzida pela MTV? Com o Matthew Broderick e a Reese Witherspoon? Isso pode ser bom? Não... é ÓTIMO! O genial do cinema é isso, você pode se surpreender com obras que aparentemente não dizem nada, mas que estão recheadas de verdades. Eleição é assim. Passou despercebido aqui, em circuito alternativo (é, nos Estações da vida mesmo...), saiu em vídeo e não agradou muita gente. Quer dizer, não agradou a maioria dos adolescentes que o alugavam achando (e querendo) que iriam assitir mais um filme estudantil banal. Quem viu de outra forma gostou e muito. E é realmente ótimo ver o que o diretor Alexander Payne (do também excelente Ruth em Questão, outra comédia pra cabeças exigentes, e de As Confissões de Schmidt) foi capaz de fazer com o excelente roteiro que escreveu (baseado num livro de Tom Perrota) e as atuações de seu elenco. Broderick está muito bem como o professor, assumindo a idade e deixando de lado de vez a imagem de Ferris Bueller. Mas o grande destaque mesmo é Reese Witherspoon. Eu, que só havia visto a loirinha de queixo avantajado em Segundas Intenções (argh!) e no simpático A Vida em Preto e Branco, me surpreendi com ela nesse filme. É o tipo de interpretação com a qual não dá pra ficar indiferente: ela domina a tela, faz a gente odiar mais e mais a "periquita" Tracy. E como eu adorei odiar ela! Quando assisti Eleição com meu amigão Alexandre (saudades das nossas sessões cinematográficas, cara...) nossas opiniões foram as mesmas ao sairmos do cinema: que grande filme, que grande atriz! Não foi à toa que ela foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia (e merecia muito também figurar na lista do Oscar).

Pra finalizar... vamos parar de "pré-conceitualizar" e classificar os filmes (e esse conselho vale pra mim também). Muitas vezes, por causa de "rótulos", acabamos perdendo grandes filmes como Eleição. Esse é pra mim, sem dúvida alguma, um grande clássico do cinema! E porque não?

Tracy Flick: It's like my mom always says, "The weak are always trying to sabatoge the strong."