HOMEM-ARANHA 2
Costuma-se falar por aí
"que vontade de ser uma mosquinha..." em certas ocasiões, principalmente quando se trata de bisbilhotar a vida alheia. Ontem eu tive vontade de ser uma aranha... Uma aranha não,
O aranha! Nunca poderia imaginar que eu, marmanjão, no alto dos meus 31 anos de idade, iria vibrar tanto com um filme de super-herói, retrocedendo alguns anos e me sentindo como uma criança em êxtase querendo ser como aquela figura. Que barato (sem trocadilhos) é o segundo filme do Homem-Aranha!
Nunca fui leitor ávido das histórias em quadrinhos do Homem-Aranha, meu contato com ele dava-se principalmente na TV, com o desenho animado e depois com a série. Vendo o primeiro filme tive uma grata surpresa, o segundo então foi um deleite. E, graças a Deus, pude constatar uma coisa: existe sim filme-pipoca muito bom! Bom é pouco,
Homem-Aranha 2 é excelente!!! O papel dele é divertir, entreter, trazer à tona a fantasia e reviver a criança dentro de cada um de nós (que clichê!), e ele foi muito bem cumprido, com competência e inteligência! Confesso que deu vontade de aplaudir e gritar diante de tantas cenas vibrantes e emocionantes (e assumo: chorei bastante durante o filme, coisa que não esperava que fosse acontecer
nunca).
O maior trunfo do filme é mostrar o jovem fotógrafo Peter Parker (cá estou eu falando do
Tobey Maguire de novo, segundo
post seguido...) como um herói relutante e "normal" quando não está "fantasiado". Já haviamos visto o Superman assim antes, mas com o aracnídeo é muito mais fácil nos indentificarmos. Ele tem problemas de aceitação social, com o trabalho, com sua paixão, com coisas que todo mundo já sofreu (ou sofre) até hoje. E mais: ele se machuca sim, apesar de seus super-poderes. Não só fisicamente, mas ele carrega culpas, tem remorsos, tem dúvidas a respeito do que ele tem que ser: ele mesmo ou um estandarte da justiça e da ordem social.
Tudo me impressionou no filme: na certeza de que o elenco não poderia ser melhor escolhido (o que é a Tia May? Dá vontade de pegar no colo e levar pra casa!); a direção no ponto certo de
Sam Raimi, que consegue dosar na medida exata o bom humor, a aventura e o drama do Homem-Aranha e dos demais personagens; nos efeitos que são espetaculares... tudo! São quase duas horas de puro deleite. Vibrei, fiquei tenso, chorei, dei boas gargalhadas (especialmente em duas cenas: a do elevador e aquela em que toca
Raindrops Keep Fallin' On My Head), torci, me entreguei. O mais legal de tudo é que em nenhum momento achei que as coisas aconteciam gratuitamente como na maioria dos filmes dito "populares", onde as coisas acontecem para impressionar. Tá tudo no lugar certo, na medida exata, sem mais nem menos. Saí do cinema doido pra rever o filme (infelizmente fui na última sessão, o que me impedia de fazer uma "dobradinha")
Algumas pessoas podem até estar me censurando por estar escrevendo palavras tão entusiastas a respeito de um típico produto industrial americano, mas não sou tão purista assim. Cinema é sonho, é fantasia, é emoção. E
Homem-Aranha 2 tem tudo isso, e muito bem feito. O conteúdo unido à técnica pode render sim grandes filmes! E que bom que ainda existem pessoas que sabem como transportar velhos marmanjos como eu à infância, e que nos mostram que, anos depois da nossa "tenra idade", ainda é permitido sonhar... Não percam!
P.S.: aproveito pra deixar um beijão pro meu primo Binho, que fez aniversário no último dia 23, de quem me lembrei durante o filme por ter me pedido, há alguns anos, pra fazer um desenho justamente do Homem-Aranha pra ele. Binho, me desculpe por não ter te ligado no teu aniversário, mas gente grande é assim mesmo - comete alguns deslizes e fica se sentindo culpado depois.
Tia May: He knows a hero when he sees one. Too few characters out there, flying around like that, saving old girls like me. And Lord knows, kids like Henry need a hero. Courageous, self-sacrificing people. Setting examples for all of us. Everybody loves a hero. People line up for them, cheer them, scream their names. And years later, they'll tell how they stood in the rain for hours just to get a glimpse of the one who taught them how to hold on a second longer. I believe there's a hero in all of us, that keeps us honest, gives us strength, makes us noble, and finally allows us to die with pride, even though sometimes we have to be steady, and give up the thing we want the most. Even our dreams.
TEMPESTADE DE GELO
Sábado à noite, muito frio aqui em Barra Mansa, papo animado com pessoas inteligentes e agradáveis e caímos no tema filmes. Fala-se de um e outro e eu me lembrei de
Tempestade de Gelo, de
Ang Lee. Nada mais propício para uma noite gélida...
A segunda produção falada em inglês do diretor de
O Tigre e o Dragão estreou aqui com um tempão de atraso (se não me engano uns dois anos) e assim que pude fui conferí-lo no cinema. Eu já tinha vontade de vê-lo desde que soube dele e do seu elenco, atores que eu adoro:
Kevin Kline,
Sigourney Weaver e
Christinha Ricci, entre outros. Só não sabia do que se tratava, mas me lembro dos elogios, principalmente da Ana Maria bahiana que lamentou a ausência do filme das indicações ao Oscar de 98, quando
Titanic dominou a cena.
Desprevenido lá fui eu, sozinho, pro Estação Icaraí, na última sessão no meio da semana. Cinema quase vazio, sento-me e espero a projeção. Apagam-se as luzes, alguns trailers e começa o filme. Primeira coisa que me chama a atanção: a música, com uma flautinha indígena tocando algumas notas de uma melodia marcante. Um vagão de trem no meio do nada, gelo e neve por todo lado. Dentro dele o
Tobey Maguire com aquela cara de bobão simpático. Segunda coisa que me chama a atenção: a frase que ele fala sobre família, sobre ela ser um vácuo necessário em nossas vidas. Pronto! Eu já estava enfeitiçado. Dali pra frente não consegui desgrudar os olhos da tela um segundo sequer, pela sintonia dos atores (todos ótimos), pela reconstituição dos anos 70, pelo roteiro...
Acompanhamos duas famílias de norte-americanos (ou estaduinenses, como tem-se usado ultimamente) no período
Watergate. Pessoas comuns, adultos cometendo adultério, jovens descobrindo o sexo e as drogas, pessoas se desiludindo. Personificações de um país que passava por um momento delicado de sua história, uma intituição falível, comandada por pessoas que se corrompem. Assim como o casamento de Ben e Elena Hood (
Kline e
Joan Allen): ele tem um caso com sua vizinha, Janey Craver (
Sigourney Weaver), ela finge que nada sabe. O filme culmina com a tespetade do título, numa noite em que rolam ao mesmo tempo uma festa de "adultos" onde se promove a troca de casais, e uma reunião de estudantes onde Paul Hood (
Maguire) tenta conquistar a garota por quem está apaixonado. O final da noite reserva uma surpresa que não só influenciará as vidas das duas famílias como também faz com que essas pessoas abram os olhos para o que está acontecendo com elas, tanto dentro e ao redor delas. É o despertar para uma realidade a qual todos se negavam encarar, a falência da família como intituição e o ponto de partida para que haja reflexão do que cada um estava fazendo para si mesmo e para com os outros. O "oba-oba" do sexo livre e das drogas servia somente para mascarar o que já estava enraizado: eles haviam se tornado pessoas frias, individualistas... verdadeiras geleiras à mercê de uma tempestade que fizesse aquele mundo irreal cair e quebrar.
Tempestade de Gelo faz parte do seleto grupo de "filmes que me deixaram catatônico". Foi difícil e doloroso voltar pra casa depois, sozinho. Mexeu, e muito, comigo. Recomendei a todo mundo para ir assistir. Quase ninguém viu. Quando foi lançado em vídeo, eu indicava direto na locadora em que trabalhava. Poucos gostaram de início. Depois, vinha um e outro me falando "nossa, que filme é esse? Bom demais!". Outros não acharam grandes coisas mesmo. A mim disse muito, e até hoje eu me lembro de muitas passagens do filme. E como tento, até hoje, quebrar alguns gelos por conta própria antes que haja uma tempestade necessária pra que as coisas mudem e aconteçam...
Wendy Hood: Dear Lord, thank you for this Thanksgiving holiday. And for all the material possessions we have and enjoy. And for letting us white people kill all the Indians and steal their tribal lands. And stuff ourselves like pigs, even though children in Asia are being napalmed.
JERRY GOLDSMITH (In Memoriam)
Obs.: devido a quantidade de citações, não coloquei
links nesse
post.
Ontem fui pego de surpresa com uma notícia pela internet: a morte de
Jerry Goldsmith. Muitos podem não se lembrar de seu nome, mas com certeza já se emocionaram alguma vez com suas trilhas para o cinema. O homem que musicou de forma magnífica alguns dos filmes mais importantes dos últimos tempos sucumbiu ao câncer aos 75 anos de idade.
Sua carreira começou na TV, em 1948, onde criou partituras para várias séries, entre elas o marcante tema de abertura de
The Twilight Zone, além de
Gunsmoke,
Perry Mason,
Dr. Kildare,
Viagem ao Fundo do Mar e
O Agente da U.N.C.L.E., entre tantas outras. Em pouco tempo ele conseguiu obter respeito e credibilidade, migrando para o cinema. Sua primeira indicação ao Oscar veio com a inesquecível trilha de
Freud - Além da Alma, cujo tema de abertura foi até reprisado numa cena de
Alien - O 8º Passageiro (quando os tripulantes descobrem que o sangue da criatura grudada no rosto de um deles é ácido).
Sua versatilidade e uso de instrumentos "exóticos" o tornou um dos compositores mais respeitados de Hollywood, e nos anos seguintes ele se consagrou com as trilhas de
O Planeta dos Macacos,
Patton - Rebelde ou Herói?,
Papillon e
Chinatown, todas indicadas para o Oscar. O prêmio lhe foi conferido pela obra-prima
A Profecia, indubitavelmente uma das trilhas mais marcantes do cinema. Quem não se arrepia só de escutar o tema principal tocado na abertura do filme?
Desde então
Jerry criou temas para os mais diversos gêneros, sempre com seu inigualável toque, para filmes como
Coma,
Os Meninos do Brasil, o já citado
Alien,
Jornada nas Estrelas - O Filme,
Poltergeist - O Fenômeno,
A Ratinha Valente,
Rambo - Programado para Matar,
Gremlins (tema utilizado aqui no Brasil pela Globo na abertura da série
Alf - O E.Teimoso),
A Lenda (numa versão que somente os europeus viram nos cinemas),
Viagem Insólita,
Warlock - O Demônio,
O Vingador do Futuro,
A Casa da Rússia (uma maravilhosa trilha com toques de jazz),
Instinto Selvagem,
As Barreiras do Amor,
Malícia,
Seis Graus de Separação,
City Hall - Conspiração no Alto Escalão,
Los Angeles - Cidade Proibida,
Mulan,
A Múmia,
A Casa Amaldiçoada,
O Homem Sem Sombra e
Looney Tunes - De Volta à Ação, sua última trilha composta.
Muitas vezes suas músicas superavam a qualidade dos filmes para os quais elas eram compostas, como visto em alguns exemplos acima. A crítica especializada sempre o admirou. Em toda sua carreira, ele conquistou 19 indicações ao Oscar, 8 ao Globo de Ouro e 5 ao Grammy, além de uma indicação em Cannes pela trilha de
Instinto Selvagem. E, embora muitas vezes pudessemos identificar alguma similaridade entre uma trilha e outra, sempre havia algo de magistral em suas composições que as tornavam únicas. Eram sempre um retrato da versatilidade e criatividade de um cara genioso e genial. Coincidentemente (?), ontem revi pela enésima vez um dos meus filmes favoritos e, de quebra, escutei uma de suas obras mais marcantes:
Alien. Uma perda irreparável para o cinema. Um acréscimo valoroso aos coros celestiais...
Tema de ALIEN
(para quem tem o RealPlayer instalado)
Caso você queira baixar o RealPlayer, clique no
link abaixo:
Fica aqui então a minha homenagem a este grande compositor, que tanto me impressionou e emocionou com suas músicas.
Jerry Goldsmith - 1929-2004
CLUBE DA LUTA
Me lembro da expectativa que me tomou ao saber que iria ser lançado um filme do
David Fincher com o
Edward Norton (que me impressionou em
As Duas Faces de Um Crime) e
Brad Pitt (que se mostrou um bom, ator em
Seven e
Os 12 Macacos). O site era um dos melhores que eu já havia visto. O trailer era o máximo. O filme estreou nos EUA e... não emplacou. Quando veio pro Brasil aí então as coisas se complicaram: por causa do maluco que resolveu atirar em várias pessoas dentro do cinema em que via
Clube da Luta e todso mundo achou que era por causa da temática do filme, quase ninguém foi ver essa obra-prima. Na sessão em que eu fui só havia mais umas 7 pessoas dentro da sala de cinema. Azar de quem perdeu: ver
Clube da Luta no cinema foi uma surpreendente e inesquecível experiência.
Acho que o maior problema do filme foi justamente a divulagação. Por causa do título e do trailer, o filme atraiu um público errado e afastou o seu público-alvo. Os fãs do cinema-porradaria, fãs dos
"Rambos" e
"Dragões Americanos" da vida foram assistí-lo esperando aquilo que eles estavam acostumados a ver e se decepcionaram. Quem gosta de cinema pra se pensar, não foi ver porque achou simplesmente que era mais um filme violento. Ou seja: o trem desandou e não chegou ao seu destino. Infelizmente.
Muita gente deixou de ver um dos melhores retratos da década de 90, onde as pessoas não encontram um significado em suas vidas, se sentem sozinhas e perdidas na sociedade consumista e saem em busca de algo que as preencha, sem ao menos ter noção do que é realemente que elas precisam. Sobre a perda da identidade (ou a não percepção da sua personalidade), sobre a banalização da bárbarie e da violência, sobre a perda de controle da palavra.
Mas acredito que passados já quase 5 anos, o filme esteja tomando seu posto na história, como algo inovador e genial. Ouso dizer (e coerro o risco de apanhar de muitos ao assumir isso) que
Clube da Luta venha a ser considerado em alguns anos um dos grandes clássicos dos anos 90. E
David Fincher um dos caras mais criativos e inteligentes que surgiram no planetinha Hollywood. Prova disso é a influência que criador e obra exercem hoje sobre os filmes. Em
Procurando Nemo por exemplo, os diretores colocaram uma cena a qual chamaram carinhosamente de
"tomada David Fincher", aquela onde o peixe Gill conta aos outros o seu plano de fugo do aquário. Quando até um desenho animado faz referência a um filme, um diretor, um estilo, isso quer dizer ou não que um filme é um marco? Eu acho que sim. Agora é esperar pra ver qual vai ser a do musical inspirado no filme que vão montar na Broadway. Quem me dera poder ir assistir... vai ser algo, no mínimo, interessante e instigante.
Tyler Durden: All the ways you wish you could be, that's me. I look like you wanna look, I fuck like you wanna fuck, I am smart, capable, and most importantly, I am free in all the ways that you are not.
FRANK DARABONT & STEPHEN KING
Pode parecer absurdo (ou não), mas eu NUNCA li nenhum livro do
Stephen King. Tudo o que conheço dele é através dos filmes. Não foi por falta de vontade, mas por mero acaso mesmo. Conhecido como um dos maiores autores de suspense da atualidade,
King já teve inúmeros livros transpostos para as telas de cinema e TV. Entre os meus favoritos, estão
Carrie, A Estranha,
O Iluminado (embora eu não ache a 8ª maravilha do mundo como a maioria acha),
Louca Obsessão,
Eclipse Total e
Conta Comigo. Estes últimos são casos à parte, não têm nenhuma criatura maligna, ninguém com poderes paranormais, nenhum psicopata ou lugares assombrados (mas há crimes sim... e pessoas malvadas também!). Outras duas histórias de
King foram levadas ao cinema pelas mãos do diretor
Frank Darabont e logo garantiram seus lugarzinhos na minha lista de melhores de todos os tempos (lista esta sem limitação de número de filmes, diga-se de passagem).
Em 1994 o francês
Darabont adaptou para as telas o conto
Rita Hayworth and Shawshank Redemption.
Um Sonho de Liberdade é um filme de prisão, com um elenco dominado por homens e com a história de um banqueiro traído acusado de matar sua esposa e o amante que acaba condenado à prisão perpétua. Mas, ao contrário do que poderia parecer, este era um filme de presídio atípico. Apesar de alguns clichês do gênero, como o diretor malvado, o prisioneiro que cuida de um pássaro (
Burt Lancaster foi
O Homem de Alcatraz e fazia a mesma coisa), entre outros,
Um Sonho de Liberdade era uma história de uma grande amizade nascida num lugar improvável. Uma história sobre a esperança e a vontade de viver, sobre a justiça que tarda (mas não falha) e redenção.
E um grande filme se faz mesmo com uma boa direção, elenco bem escolhido e competente, roteiro bem escrito e desenvolvido e com a parte técnica em sintonia com o restante. Estava tudo no lugar certo então. A direção e o roteiro de
Darabont são excelentes, enxutos, na medida certa.
Morgan Freeman como Red, o presidiário malandro que arranja qualquer coisa que lhe encomende e
Tim Robbins como o banqueiro preso injustamente estão perfeitos em seus papéis, assim como todo o restante do elenco de apoio. A parte técnica também é primorosa, como a fotografia em tons sépia ao mesmo tempo árida e aconchegante, onde a iluminação torna o ambiente ao mesmo tempo angustiante e confortante para os presos. A montagem é incrível e dinâmica, tornando ainda mais emocionante a trama. E a trilha sonora...
Thomas Newman é, na minha opinião, um dos maiores compositores de trilha da atualidade, já tendo demonstrado seu talento em diversos filmes e séries de TV. Neste ele compôs uma de suas obras mais originais e marcantes, inesquecível e tocante, mesmo se escutada separadamente do filme.
Um Sonho de Liberdade estreou e chamou atenção, mas nem tanto. As pessoas foram descobrindo o filme aos poucos, principalmente depois das 7 indicações ao Oscar que teve (sem ter ganho nenhum, afinal a concorrência era direta com
Forrest Gump) e, mais ainda, após o seu lançamento em vídeo, onde foi se tornando um filme querido por multidões. Quase 10 anos após seu lançamento, ele vem aparecendo cada vez mais nas listas de melhores filmes de todos os tempos dos críticos especializados e se tornou inesquecível para muitas pessoas. Como todo clássico, o filme ganha a cada dia mais admiradores e se firma como grande obra do cinema.
5 anos depois
Darabont surge com outro filme. Dirigido e escrito por ele. Roteiro baseado numa série de 6 livros do
King. Título dos livros:
O Corredor da Morte. Ambientação: um presídio. O filme:
À Espera de Um Milagre. Ora bolas! Que falta de imaginação desse cara! Que nada...
Darabont mandou muito bem mais uma vez! Quando todo mundo estava achando que veríamos algo na linha
Um Sonho de Liberdade 2 - A Missão,
Darabont nos surpreende com uma magnífica adaptação de um livro que agora sim incluia toques paranormais, mas que estava longe do universo de terror habitual de
King. Mais uma vez, no meio de um elenco predominantemente masculino (com as poucas intervenções de
Bonnie Hunt e
Patricia Clarkson em papéis coadjuvantes de esposas), somos inseridos no local onde ficam os prisioneiros condenados à cadeira elétrica à espera da execução. Nesse ambiente carregado trabalha Paul Edgecomb, interpretado com a maestria de sempre por um
Tom Hanks acima do peso, que, até mesmo pelo clima nada leve do local, procura sempre manter um bom relacionamento com os condenados. Até que num dia chega John Coffey, um homem enorme, gigantesco, acusado de ter matado duas garotinhas. Todas as evidências levam a crer que aquele homem cometeu mesmo o crime e a comunidade local, claramente racista, aguarda a execução do negro Coffey. Mas Edgecomb percebe algo diferente no condenado, e presencia algo mágico, um verdadeiro milagre.
À Espera de Um Milagre tem 3 horas e 8 minutos de projeção. Pode até parecer longo, mas a gente nem sente o tempo passando. Mais uma vez
Darabont nos seduz com sua câmera capturando quadros belissimamente iluminados, acompanhando a história sensível, bem narrada e interpretada (e que, como no filme anterior, invariavelmente nos leva às lágrimas), excelente reconstituição de época e uma parte sonora formidável, que ambienta ainda mais o filme. Fora, mais uma vez, a magnífica trilha de
Thomas Newman que fica marcada na nossa mente após o término do filme.
Infelizmente não vi seu filme seguinte,
Cine Majestic com
Jim Carrey, mas nem foi por falta de vontade. Sabe quando tem aquelas épocas em que vários filmes estréiam e você vai adiando um, depois outro, deixa pra vê-los quando saírem em vídeo ou DVD, saem e você dá preferência a outros, deixando esses pra depois e, quando percebe, já perdeu o
"pique" pra ver? Pois é... mas também não ouvi muitos elogios a respeito dele, o que me desanimou um pouquinho. Ainda assim
Darabont, com esses dois filmes, entrou na minha lista de grandes diretores e me fez ficar com muita vontade de assistir a sua versão para o clássico
Fahrenheit 451 programada para 2005. Esse cara conseguiu, com dois filmes sobre um tema que eu não gosto muito, arrancar muitas lágrimas de dentro de mim e ver que o tema comum a ambos os filmes, a esperança, ainda que parecesse por demais batido, continua sendo fonte de filmes maravilhosos. E ainda mostrou que, por dentro daquela mente que gerou meninas paranormais e outras assombrações, existe uma alma sensível.
P.S.: a minha esperança é que um dia, e que ele seja breve, a Warner lance esses dois filmes em DVD em edições dignas da importância deles, e não somente as versões "!básicas" que foram lançadas.
P.S. 2: aproveitando o assunto, quero agradecer às minhas duas amigas Marta e Andrea pela visita nesse fim de semana, e dizer aos demais que sinto muitas saudades de todos. Tenho a esperança de poder revê-los em breve! E me desculpem pela demora pra
postar... mas é que eu tava esperando meu computador chegar Agora sim vai ficar mais fácil. Até!
De
Um Sonho de Liberdade-
Red: [narrando]
I find I'm so excited, I can barely sit still or hold a thought in my head. I think it the excitement only a free man can feel, a free man at the start of a long journey whose conclusion is uncertain. I hope I can make it across the border. I hope to see my friend, and shake his hand. I hope the Pacific is as blue as it has been in my dreams. I hope.
De
À Espera de Um Milagre -
Paul Edgecomb (já velho): We each owe a death, there are no exceptions, I know that, but sometimes, oh God, the Green Mile is so long.