SEABISCUIT - ALMA DE HERÓI
Gente, tenho que me render... Quando
Seabiscuit entrou em cartaz eu me recusei a ver. Rolava todo um papo que iria ter uma penca de indicações nas premiações e tal (isso até antes de passar por aqui, na estréia nos EUA já falavam), e eu não me animei nem um pouco pra assistir. E começaram as tais premiações e o filme do cavalo foi pipocando em muitas delas, culminando com as 7 indicações ao Oscar. Não quis ver mesmo assim, mesmo o filme voltando pros cinemas. Mas eis que, sem nada pra fazer num fim de semana, passei na locadora e pguei o DVD. Só digo uma coisa: fiquei muito arrependido de ter perdido
Seabiscuit no cinema.
A história real do cavalo desacreditado por todos desde que nasceu, montado por um jóquei que foi afastado de sua família por causa da grande depressão de 1929 me conquistou. Ao final, conseguiu tirar algumas lágrimas de mim. Não tinha como o filme ser ruim mesmo. O diretor e roteirista
Gary Ross tem em seu currículo o roteiro de
Quero Ser Grande e
A Vida em Preto e Branco (também dirigido por ele), ou seja, competente o cara é. O elenco perfeitamente adequado o Homem-Aranha
Tobey Maguire,
Jeff Bridges, os ótimos
Chris Cooper e
William H. Macy). A reconstituição de época é admirável e linda. A fotografia um desbunde. A trilha de
Randy Newman encantadora e emocionante. Tantos elogios não significam que o filme seja perfeito: ele poderia ter alguns minutos a menos por exemplo. Mas essas e outras pequenas falhas não comprometem em nada o filme diante de tantas qualidades.
O filme me tocou, e muito, pelo simples motivo de ter me feito identificar com a situação.
Seabiscuit pode ser visto como um retrato de uma época, uma metáfora sobre a sociedade americana e como ela superou os percalços da depressão (quando um dos personagens fala "você não joga fora toda uma vida por causa de uma ferida"). A mim o filme significou o sonho, o desejo de grande parte das pessoas: a simples vontade de ter uma oportunidade para mostrar sua capacidade, ter reconhcimento e se sentir digno. Tanto o jóquei Red Pollard quanto o cavalo
Seabiscuit tiveram suas chances. Ver este filme me fez ter essa esperança então: que seja breve o dia em que finalmente não só eu como muitos tenham as suas tão desejadas oportunidades.
Red Pollard: [narrando]
You know, everybody thinks we found this broken down horse and fixed him, but we didn't. He fixed us. Every one of us. And I guess in a way we kinda fixed each other too.
Antes de tudo, justificar a escassez de posts: tô sem computador. Espero que por pouquíssimo tempo -- SE DEUS QUISER E ELE QUER (como diz Andrea)!!!! Já que tô nessa situação, só vai rolar mesmo quando eu estiver na casa de alguém que me "empreste" o computador pra escrever aqui (como no caso de hoje - obrigado Nicole!).
Aproveitando o momento meio "cabisbaixo" (e repito a frase exclamativa citada acima), não vou falar de nenhum filme especificamente, mas de cenas tocantes de alguns filmes, aquelas em que se torna difícil não deixar escapar ao menos uma lagrimazinha que seja.
ATENÇÃO!!! Os relatos abaixo são totalmente pessoais, sem a intenção de influenciar qualquer opinião contrária, e podem causar reações adversas em pessoas diabéticas, que não toleram um pouco de sentimentalismo e que cismam em achar que chorar em cinema (ou com alguns filmes) é coisa de débil-mental.
A começar por Carlitos (Charles Chaplin, nunca gostei deste apelido "Carlitos"...). Não adianta, por mais que Renarghto Ararghão tenha tentado imitar nos filmecos (muitos sabem minha opinião a respeito desse cidadão, tanto pelo conjunto da obra quanto pelo ser que ele é), Chaplin NUNCA será igualado no quesito lágrimas felizes. O que é ele e o garotinho que ele cria? O que é ele com a ceguinha florista?
Partindo para a Sessão Desenho, além de Monstros S.A. ("kitty!") e de Procurando Nemo, tem a fatídica cena da morte da mãe do Bambi... Eu sei o que é ter 5 anos de idade e ter o coração dilacerado no cinema vendo aquela gazela em fuga querendo sobreviver! Se já corresse a moda de "colocar na Justiça", eu poderia processar Walt Disney por me traumatizar eternamente: até hoje me debulho quando vejo filmes de animais. Chegando nesse reino, o que seria da minha vida sem o Babe (leia post a respeito)? Filme de bichinho já é apelação demais pra mim, se o tal fala então... ainda mais sendo filhotinho, com topetinho, voz de quem quer carinho e uma ingenuidade sem tamanho! Tem outro filhote que não fala, mas sonha: O Urso, um filme francês maravilhoso! Isso sem falar na cachorra Baleia de Vidas Secas.
Na Sessão Spielberg a lista é extensa... A despedida e o reencontro das irmãs em A Cor Púrpura, François Truffaut conversando com o alienígena em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (e eles ainda trocam sorrisos ao final!), toda a despedida entre o E.T e seus amigos terráqueos, a meia-hora-final-que-ninguém-gosta-e-eu-acho-perfeita de A.I., o final que te força a chorar de A Lista de Schindler... Pára! Spielberg ganha o troféu Lenço de Papel fácil!
Tem aqueles filmes que eu choro e as pessoas acham absurdo quando confesso isso. Um deles é Parenthood - O Título Que Não Saiu Pela Culatra (cujo título nacional é outro absurdo), uma comédia que me faz chorar! Ou a cena dos balões cor-de-rosa ao som de Nessum Dorma em As Bruxas de Eastwick... Carrie, a estranha ficando menstruada no vestiário do colégio ou sofrendo com as crueldades da mãe.Tem mais, mas fico por aqui pra não ser muito zoado.
Ah, os romances... Tem coisa mais dolorosa do que Meryl Streep dentro do carro do marido vendo o Clint Eastwood pendurando uma corrente no retrovisor de sua caminhonete em As Pontes de Madison? E o Paciente Inglês carregando sua amada morta no colo pelo deserto? E a maravilhosa Audrey em Bonequinha de Luxo sob a chuva, beijando o George Peppard e segurando um gatinho (sempre um bicho no meio!). E a Jodie Foster correndo para ver o Richard Gere sendo enforcado em Sommersby - O Retorno de Um Estranho.
O que seriam dos dramas sem as lágrimas? E dá-lhe choradeira com a Shirley MacLaine em Laços de Ternura, com as crianças iranianas de Filhos do Paraíso, com os dois garotos amigos que partem numa busca utópica pela cura da AIDS em A Cura, o desfecho de A Insustentável Leveza do Ser, a carta de despedida de Dora em Central do Brasil... Acabou? Não! Ladrões de Bicicleta, Nenhum a Menos (ótimo filme chinês - e com crianças), O Inventor de Ilusões (do Steven Soderbergh - com crianças), À Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade (ambos do fantástico Frank Darabont)... Tem muitos, muitos outros. Mas eu deixo prum outro post.
E vocês, com quais filmes costumam desaguar?
Abraços e até a próxima!
P.S.: peço desculpas pela falta de links nesse post, mas é que foram tantas referências... Prometo que depois, com calma, os coloco um a um.
E por falar em desenhos animados...
Já está disponível na internet o novo trailer do próximo filme da
Pixar,
Os Incríveis. Pra quem não se lembra, a
Pixar foi o estúdio que revolucionou o cinema de animação quando lançou em 1995, junto com a
Disney (responsável pela distribuição),
Toy Story. Pela primeira vez eles trarão humanos como protagonistas de um filme, uma família de super-heróis que tenta levar uma vida normal mas é obrigada a voltar à ativa para salvar o mundo de uma terrível ameaça. Depois do sucesso de
Toy Story,
Vida de Inseto,
Toy Story 2,
Monstros S.A. e
Procurando Nemo (todos
MARAVILHOSOS), dá pra esperar outro grande filme e também mais um avanço no cinema de animação computadorizada. A cada filme, a Pixar desenvolve novas tecnologias que garantem uma qualidade cada vez melhor em seus produtos. E mais uma vez ela conta com atores famosos emprestando suas vozes aos personagens. Desta vez teremos
Craig T. Nelson (o pai de
Poltergeist) como Bob Parr/Mr. Incredible,
Holly Hunter (vencedora do Oscar por
O Piano) como sua esposa Helen Parr/Elastigirl e
Samuel L. Jackson como Lucius Best/Frozone. Agora é aguardar até novembro. Já tô com água na boca... O trailer pode ser visto tanto no
site oficial do filme quanto no
link de trailers ao lado (na coluna da direita deste blog). Já tô com água na boca...
A BELA ADORMECIDA
Sempre adorei desenhos animados. Até hoje procuro ver todos no cinema. Até bem pouco tempo o cinema de animação era dominado por um único estúdio, o de
Walt Disney, que se tornou referência. Lógico que outros estúdios realizavam obras tão boas quanto (e às vezes até melhores), mas o maior destaque ficava mesmo para aqueles feitos pelo pai do Mickey Mouse. Os desenhos animados sempre fizeram parte da minha vida. Na minha infância, o antigo Cinema 1 (atual Estação Icaraí) realizava aos domingos pela manhã a
Matinée Tom & Jerry e eu ia sempre com meu pai. Assisti a todos os desenhos do gato e do ratinho que passam hoje na TV num telão de cinema. Foi provavelmente meu primeiro contato com a sétima arte. E, coincidentemente, o primeiro longa-metragem que assisti num cinema também foi um filme de animação:
A Bela Adormecida de
Walt Disney. Eu tinha 4 anos de idade e lembro-me até hoje do encanto que sentia em relação àquela explosão de cores e também do medo que me dominava toda vez que Malévola aparecia em cena (e o pavor quando ela se transforma num dragão no final do filme).
O filme, originalmente lançado em 29 de janeiro de 1959 nos EUA, estava nos planos de
Disney desde 1938 e consumiu 10 anos de trabalho em sua produção. A história em si foi inspirada na coleção de contos franceses de 1528 intitulada
Anciennes Chroniques de Perce Forest, na qual Charles Perrault se baseou para escrever
La Belle au Bois Dormant e os irmãos Grimm depois criaram
Brier-Rose.
Disney bebeu das três fontes para seu filme. Mas, querendo se distanciar das comparações que pudessem haver com outros clássicos seus como
Branca de Neve e os Sete Anões e
Cinderella,
Disney resolveu inovar na produção se inspirando em ilustrações medievais e góticas de época. Assim sendo, seus desenhistas tiveram que basicamente trabalhar ao máximo com linhas horizontais e verticais, minimalizando o uso de diagonais, dando uma nova dimensão e profundidade aos fundos, deixando-os bem claros e sempre em foco com o que estivesse em primeiro plano, ao contrário do que acontecia antes. Outro grande avanço técnico e inédito foi que
A Bela Adormecida foi produzido em
widescreen, ou seja, imagem panorâmica.
A história é mais do que famosa. Ao nascer, a princesa Aurora, filha do Rei Estevão, é amaldiçoada pela bruxa Malévola - ao completar 16 anos, ela espetaria o dedo numa roca que lhe causaria a morte. Não podendo desfazer a maldição, a bondosa fada Primavera consegue apenas reverter o feitiço fazendo com que Aurora, ao invés de morrer, caísse em sono profundo, podendo ser despertada pelo beijo de alguém que lhe amasse puramente. Para tentar evitar o trágico destino, o Rei pede a Primavera e outras duas fadinhas, Fauna e Flora, que criem Aurora como uma camponesa distante do palácio e do perigo. Mas, por obras do destino, Rosa (a identidade secreta da princesa) acaba por espetar seu dedinho e adormecendo.
Também diferente de seus outros filmes protagonizados por princesas,
Disney nesse dá mais personalidade aos seus personagens e ação na trama. Aurora/Rose, apesar de sua feminilidade, se apresenta mais idependente do que Cinderella e Branca de Neve. Felipe também não é apenas um príncipe encantado, ele deixa de ser um coadjuvante para arriscar sua vida pela salvação de sua amada. E Malévola, talvez a maior das vilãs criadas por
Disney, é uma manipuladora, cínica e cruel mulher disposta a tudo para obter seus objetivos. Há também as figuras das adoráveis fadinhas, Fauna e Flora eternamente disputando entre si para a predominância de suas cores nos trajes de Aurora (rosa e verde) e Primavera, uma simpática gorduchinha com cara de portuguesinha. E outro personagem marcante do filme é a trilha sonora de
George Bruns, habitual colaborador de
Disney, que adaptou a composição de Pyotr Tchaikowsky para sua obra homônima, enfatizando ainda mais o clima desse desenho animado inesquecível e obrigatório.
Malévola: Well, quite a glittering assemblage King Stephan. Royalty, nobility, the gentry... (olha para as três fadinhas) ...oh, how quaint - even the rabble.
O SALÁRIO DO MEDO
Em 1953 um filme francês diferente conquistou a Palma de Ouro em Cannes. Mas, para surpresa de muitos, este não era um daqueles desfiles de personagens que passamo tempo inteiro da projeção filosofando a respeito da vida.
O Salário do Medo é um filme de ação, se bem que bem diferente do que estamos habituados a classificar nesse gênero hoje em dia. Ou seja, é um
thriller à moda francesa, com personagens bem desenvolvidos e uma trama tensa.
A história se passa num país não definido da América do Sul (pelo menos no filme não é citado), num vilarejo onde vivem vagabundos de várias nacionalidades, alguns em busca de trabalho, outros querendo ganhar dinheiro fácil. Uma empresa petrolífera norte-americana oferece então quatro vagas para motoristas de caminhão que queiram transportar, em dois carros, um carregamento de nitroglicerina, pagando dois mil dólares a cada um. Depois da seleção, os quatro escolhidos partem na travessiaque não será nada fácil, pois além da alta periculosidade do carregamento, as estradas do tal país são perigosissímas, em péssimas condições e cheias de armadilhas que colocam em risco a vida dos viajantes.
Dirigido por um mestre do suspense,
Henri-Georges Clouzot (que fez também a obra-prima
As Diabólicas, refilmado na década de 90 como
Diabolique, estrelado por
Sharon Stone e
Isabelle Adjani),
O Salário do Medo tem em seu elenco
Yves Montand, talvez no filme em que pela primeira vez demonstrou ser realmente num ator talentoso,
Charles Vanel (que acabou ganhando menção especial em Cannes pelo papel de Jo) e a esposa do diretor, a brasileira
Véra Clouzot.
A versão restaurada disponível em DVD aqui no Brasil, com 158 minutos, ainda não é a integral (parece que a original tem o total de 166 minutos!), mas ainda assim é maior do que a que havia antes, com apenas (!) 131 minutos. É longo? Sim, bastante. Até custa um pouco a começar mesmo, introduzindo os personagens em situações que depois não acrescentam nada à história. E até mesmo algumas coisas não ficam bem explicadas (como o que aquelas pessoas todas estavam fazendo numa cidadela, porque foram parar ali), mas, quando a viagem inicia, fica difícil não se envolver. Aí sim os personagens mostram suas personalidades, seus caráteres. E a cada solavanco, a cada obstáculo na estrada, ficamos na tensão se a carga irá resistir ou se os caminhões irão pelos ares. O final, um tanto amargo e irônico, é chocante e dá o que pensar sobre o quanto vale a pena arriscar a vida por uma quantia em dinheiro. Há uma
refilmagem americana, de 1977, cujo título nacional eu ficarei devendo dessa vez, mas dizem que, pra variar, é bastante inferior ao original. Apesar de não ser um filme perfeito,
O Salário do Medo é um ótimo programa e alternativa para a mesmice dos filmes de aventura e ação atuais.
Por causa deste muita gente vai me xingar... Mas tenho uma boa desculpa de antemão. Comecemos então pela desculpa: a palavra
FILME tem algumas equivalências na língua inglesa. Uma delas é
MOVING PICTURE, ou seja,
IMAGEM EM MOVIMENTO. Pois cinema é isso, nada mais nada menos que uma série de imagens estáticas que vistas em seqüência e numa velocidade determinada nos dão a impressão de movimento. Os filmes que assistimos no cinema, por exemplo, são projetados numa velocidade de 24 quadros por segundo.
Dada a desculpa, vai omeu assunto de hoje. Há alguns meses fui apresentado a um site no qual me viciei. Quando o Dan me mostrou pela primeira vez, logo de cara eu achei que era algo meio "retardado", uma coisa muito
cute, algo parecido com
Hello Kitty,
Ursinhos Carinhosos ou qualquer daqueles bichinhos que as menininhas blogueiras adoram encher em seus diários virtuais. Mas bastou passar alguns segundos da vinheta de apresentação de um dos episódios (a animação é em Flash) pra eu constatar:
QUE COISA HILÁRIA E GENIAL! Se trata dos
Happy Tree Friends, um bando de animaizinhos fofinhos (eles têm até o focinho em forma de coração!) e suas peripécias totalmente sangüinárias.
Imaginem o
Comichão e o
Coçadinha dos
Simpsons numa versão muito mais radical! Rhode Montijo e Kenn Navarro bolaram
20 personagens, todos com a aparência bem infantil, que tomam vida em mini-episódios que dariam inveja a muitos brutamontes de filmes de ação. O sangue jorra adoidado, os personagens são perfurados, desmembrados, eletrocutados... sofrem toda sorte de desgraça que nenhum desenho animado ousou retratar (com exceção dos já citados
Comichão e Coçadinha e de
South Park). Um dos mais engraçados é um ursinho verde chamado
Flippy, veterano de guerra que não pode ter a mínima lembrança de seus tempos em campos de batalha para se transtornar e atacar quem estiver por perto.
Para quem não gosta de humor negro, nem vale a pena conferir algum episódio. Mas pra quem curte, é um prato cheio! Neste
link você vai direto para a página das historinhas. Quem sabe um dia eles não chegam às telonas...?
Oi pessoal! Como vocês podem ver o blog tá de cara nova. Eu, totalmente leigo em HTML, Dreamweaver e similares, acabei levando uma surra nessa sexta-feira tentando ajeitar o blog. Mas, depois de muitas horas, finalmente consegui! Agora está mais fácil ler (ou reler) os posts antigos, comentá-los e voltar à página inicial (tanto pelo link POSTS RECENTES quanto pelo logotipo do blog). Com o tempo incrementarei ainda mais, já que ficou bem mais fácil agora. Pretendo colocar mais links de sites de cinema e de alguns blogs também (do mesmo assunto e de amigos). Agora até me reanimei a postar com mais freqüência! Espero que todos curtam as novidades e voltem mais vezes.
Um abraço a todos!
P.S.:os experts podem rir à vontade, mas essa euforia toda é conseqüência nitida do orgulho que este analfabeto em web design está sentindo depois de horas apahando aqui em frente ao monitor...
ALIEN, O 8º PASSAGEIRO
Eu era bem novinho, tinha uns 7 ou 8 anos mais ou menos quando comecei a ver nos cinemas um poster muito estranho (sempre gostei de posters de filmes, uma mania que tenho até hoje) com um ovo rachado e uma frase que dizia
"no espaço ninguém escutará seu grito...". O título do filme era uma palavra tão estranha quanto o poster,
Alien, e seu subtítulo,
O 8º Passageiro era instigante. Eu não podia ver o tal filme pois a censura o proibia para menores de 18 anos, mas aquela imagem e aquelas palavras ficaram na minha cabeça. Me lembro inclusive que, no poster brasileiro, havia no canto inferior dele, logo acima dos nomes da equipe técnica, as fotos dos sete atores do filme, o que aumentava ainda mais minha curiosidade: quem era o oitavo passageiro afinal? Demorei alguns anos até descobrir este mistério. Foi, mais uma vez, graças ao Vídeo Clube do Brasil e seu enorme acervo de filmes piratas que eu tive meu primeiro contato imediato com esse filme que imediatamente entrou na minha listinha de
Top 10 (não sei em que posição ainda, muito provavelmente na primeira...). Éramos eu e minha mãe vendo aquela cópia horrorosa e escura numa noite de 1983. Poucas vezes fiquei tão apavorado vendo um filme, me escondia debaixo da colcha da cama da minha mãe, deixando só os olhos descobertos para poder continuar acompanhando as agruras daqueles pobres tripulantes. Ou seja, morrendo de medo e curiosidade ao mesmo tempo, sem conseguir desgrudar os olhos da tela.
A história todo mundo sabe (ou deveria saber): a nave Nostromo, com seus sete tripulantes, recebe um sinal de socorro vindo de um planeta desconhecido. Ao aterrisar no tal planeta, três destes tripulantes vão explorá-lo em busca da fonte do sinal e encontram uma nave de origem também desconhecida abatida. Dentro dela, um deles é atacado por estranha criatura que gruda em seu rosto e o mantém numa espécie de coma. Ao voltar pra nave, algum tempo depois, a criaturinha morre e a vítima acorda do coma. Todos comem felizes e satisfeitos a ultima refeição antes de voltar para suas câmaras de hibernação quando o pobre coitado que voltara com o bicho na cara começa a ter convulsões. Para surpresa e terror de todos, de dentro dele sai um alienzinho feio de doer, que sai correndo e se embrenha pelos cantos e corredores escuros da nave. Começa então a caça e a matança: um a um, cada um dos tripulantes é morto pela criaturinha que vai cresceu e adquiriu força...
No início antipatizei com a Tenente Ripley, achei-a abusada e meio grossa. Mas me lembro de ter me afeiçoado a ela aos poucos e acabei torcendo muito por ela no final. Nascia ali uma heroína e uma das minhas personagens favoritas do cinema. Àquela altura eu não fazia a mínima idéia de que um dia
Alien, O 8º Passageiro iria ganhar continuação(ões). Por conseqüência, a personagem foi adquirindo mais fama e carisma a cada filme, tornando-se um dos ícones do cinema. Recentemente fiquei muito feliz em saber que ela foi lembrada como uma das 10 mais importantes personagens da história pela revista
Premiere! Com certeza ela não seria esse marco se não fosse pela atriz que a interpreta,
Sigourney Weaver, que já nesse primeiro filme se entrega de corpo e alma a essa personagem complexa e cheia de nuances. Ao mesmo tempo em que demonstra força, não deixa de transparecer sua fragilidade; junto à coragem há o medo também; quando tem que ser determinada não deixa de hesitar; Ripley é afinal uma personagem dicotômica por natureza: uma mulher executando o papel que seria de um homem, o que antes no cinema era vítima agora passou a ser heroína.
Alien marcou o cinema também por vários outros aspectos: pela excelente direção de
Ridley Scott, pela música climática de
Jerry Goldsmith, pelo restante do elenco em sintonia total e, principalmente, pelo visual, tanto dos ambientes quanto da criatura, idealizada pelo genial artista plástico suíço
H. R. Giger (a Jane, no seu ótimo blog
Quem Tem medo de Baby Jane, tem um post muito bom sobre ele). O Alien se tornou outro ícone do cinema, diversas vezes imitado mas jamais igualado. Após rever o filme tantas vezes percebi que não era apenas um história de terror no espaço. Era isso e muito mais.
Alien confronta o ser humano com um ser primitivo, o ser humano com a tecnologia e o ser humano com ele mesmo. Ou seja, o grande tema do filme é a sobrevivência. O homem se vê numa luta por sua sobrevivência quando se depara com seus semelhantes que têm interesses diferentes (há no filme também a luta de hierarquias), é obrigado a se igualar instintivamente diante da ameaça de uma ser primitivo e assassino (é matar ou morrer) e ainda se vê na luta pelo poder contra aquilo que ele próprio criou (as máquinas e a tecnologia que dominam aquele grupo).
Alien marcou minha vida, isso sim! Tantas revisões desde a primeira vez, ainda mais na época em que escrevia minha monografia de conclusão da faculdade (que era justamente sobre a série
Alien), me fizeram gostar cada vez mais deste filme. Eu nunca imaginaria que, quase 25 anos depois, o filme daquele poster enigmático fosse o tema de um trabalho que me garantiria um diploma na faculdade de cinema. Infelizmente não pude assistir a este filme no cinema (que quase foi relançado aqui no fim do ano passado, em sua
Versão do Diretor, mas foi cancelado e saiu direto em DVD). No meu interior, ninguém pode ouvir meu lamento por isso...
P.S.: duas coisas me alegrariam muito. A primeira seria arranjar um emprego que me desse certeza de que foi útil conquistar um diploma de bacharel em cinema. A segunda coisa é que eu adoraria ter o box com 9 DVDs lançado recentemente com toda a série
Alien (cada filme em edição dupla e um disco só de extras!). Se alguém se dispôr a organizar uma vaquinha e providenciar esse singelo presentinho... hehehe! ;o)
Ripley: Cargo and ship destroyed. I should reach the frontier in about 6 weeks. With a little luck, the network will pick me up. This is Ripley, last survivor of The Nostromo, signing off.
AS HORAS
Esse é um daqueles que se enquadram na categoria de
"filmes que me deixaram catatônico". Aproximadamente um ano e meio antes de assistí-lo eu já havia lido algo a respeito da produção do filme. Logo me chamou atenção, tanto pelo elenco, que incluia algumas das minhas atrizes favoritas, quanto pelo diretor
Stephen Daldry (o mesmo do magnífico
Billy Elliot). Algum tempo depois, na época em que eu fazia um programa de cinema no canal universitário da UFF (o
Moviola, saudades do povo...), foi divulgada uma foto da
Nicole Kidman caracterizada como Virginia Woolf no filme. Fiz questão de colocar a foto no ar e ninguém da nossa equipe reconheceu aquela nariguda com cara de fuinha. Lembro-me do que comentei na época: "ela não ganhou o Oscar neste ano por
Moulin Rouge, mas pelo jeito tá fazendo por onde pra ganhar no ano que vem por esse
The Hours". O filme não havia estreado ainda em lugar nenhum, era meio de ano. Veio a temporada de final de ano, quando estreiam os filmes com maiores chances de indicações e premiações e a
Nicole começou a levar vários troféus pra casa... Tudo bem, era um tanto quanto óbvio e não me considero nenhum Nostradamus por ter previsto essa consagração dela, afinal, qualquer atriz bonita que se dispõe a se desglamourizar e perder parte de sua beleza (ou toda ela) ganha 75% de chances de ganhar prêmios a mais que as outras. Mas mesmo assim sinto-me orgulhoso não só por ter me antecipado um pouquinho como também por ter comprovado aquilo que sempre achei: por trás daquele rostinho perfeito (não nesse filme, claro!) sempre existiu uma grande atriz. Pra quem não se lembra, além de ter feito brilhantemente a cortesã Satine,
Nicole deu um show como a "alpinista social" (ou, como se tornou conhecida por aqui agora, Darlene) de
Um Sonho Sem Limites, como a mãe atormentada de
Os Outros, a esposa insatisfeita em
De Olhos Bem Fechados e ainda no papel que a revelou para o mundo, como a refém de um psicopata num iate em alto mar em
Terror a Bordo.
As Horas é um desbunde! São três estórias paralelas, situadas em três épocas diferentes. Em comum entre as três há vários fatores. O primeiro é que são protagonizadas por mulheres. E que mulheres!
Nicole Kidman como Virginia Woolf, enquanto escreve
Mrs. Dalloway nos anos 20;
Julianne Morre como Laura Brown, mãe de família que lê justamente
Mrs. Dalloway nos anos 50; e
Meryl Streep como Clarissa Vaugh, que nos dias de hoje planeja uma festa em homenagem a um amigo escritor que tem AIDS (e tem o mesmo nome da protagonista do livro de Virginia). Acompanhamos um dia na vida dessas três mulheres, de forma não-linear (o filme não é narrado cronologicamente, ele vai e volta no tempo no decorrer do dia de cada uma), mas sempre com algum fato ou detalhe que una seus destinos. Enquanto escreve sua obra, Virginia de certa forma dita o que irá acontecer nas vidas de Laura e Clarissa. Quase sempre com a música de
Philip Glass ao fundo marcando o tempo como um agente ativo na estória, como se ele fosse um personagem com vida própria, vamos unindo as peças desse quebra-cabeças que, apesar de não ser nada leve, fala justamente sobre
VIVER e
AMAR (duas coisas bastante complexas, diga-se de passagem) e sobre
ESCOLHAS.
As três personagens principais estão em momentos cruciais de suas vidas e, nesse dia em que são retratadas, elas tomam decisões que as afetarão para sempre. Não só a elas, como também a outras pessoas que as rodeiam. Sempre o que acontece com uma, acontece com as outras, e isso é claro desde o início do filme, brilhantemente editado (deveria ser sempre mecionado em qualquer aula de Montagem em cursos de cinema), passando pelas visitas que cada uma recebe, pelos gestos (como o de arrumar os cabelos em frente a um espelho ou simplesmente um quebrar de ovos), culminando sempre com o que foi mais comentado a respeito do filme (e mal interpretado também): os beijos na boca. Algumas pessoas que adoram ver sempre o mundo através de uma lente cor-de-rosa cismam em afirmar que os beijos na boca entre mulheres do filme são lésbicos. Engano dos(as) militantes! O primeiro, entre Laura e sua vizinha Kitty é o beijo da compaixão, aquele que simboliza a vontade que Laura tem de dar um pouco de sua vida a amiga. O segundo, entre Virginia e sua irmã Vanessa já é o oposto: a escritora gostaria de obter da irmã a energia vital de que não dispõe. O terceiro é a excessão, quando Clarissa beija sua companheira Sally. Após um dia tenso, depois de vários acontecimentos e de uma perda irreparável, Clarissa dá aquele beijo como um sinal de liberdade: enfim, após tantos anos, ela percebeu que poderia viver e amar (e deixar-se ser amada).
É impressionante como um cara que faz seu terceiro filme (o primeiro,
Eight, eu não vi e desconheço se já passou por aqui) e parece estar no ramo há décadas consegue fazer uma obra-prima dessas, dando um banho em muita gente que tá mais que calejado. Ele consegue unir um elenco perfeito (não há ninguém a quem se possa criticar negativamente, dos protagonistas aos coadjuvantes), com uma fotografia e reconstituição de época maravilhosas (perceberam como nos anos 20 tudo é esfumaçado, como a mente perturbada de Virginia; nos anos 50 as cores já são mais quentes e vivas, porém artificiais e vazias como Laura encara sua vida; e nos dias de hoje há um excesso de azul e cinza, um visual mais urbano e poluído?), a montagem perfeita e a música maravilhosa (ambas já mencionadas). Um filme adulto, sério, nada fácil para quem quer apenas diversão mas altamente gratificante para quem gosta de
CINEMA. Afinal, apesar de se tratar de amor e vida, ele toca em algumas feridas como o egoismo, a solidão e a incompreensão.
Lá fui eu, todo animado ver o filme, sozinho. Cinema cheio, na maioria gente com seus 40 e poucos, quase 50, alguns até mais; eu devia ser o mascote daquela sessão (era um dia de semana à tarde). Terminado o filme, todos se levantaram, trocando comentários e saindo lentamente pela porta do cinema. Fiquei sentado, com os letreiros subindo e o
Philip Glass tocando, estupefato. Minha vontade era chorar, gritar, exorcizar um montão de coisas, mas nem que eu tivesse coragem para tal, pois havia um enorme nó na minha garganta que me impedia de atos mais libertários e expressivos. Terminados os créditos consegui me levantar, com aquela imagem de
Nicole como Virginia Woolf entrando no rio para se suicidar na cabeça, e aquelas palavras ditas por ela me seguindo incansavelmente até em casa. Não tive condições de falar com mais ninguém depois daquelas duas horas no cinema até ir dormir. Mexeu comigo. Ouso até afirmar que me modificou um bocado. Foi bom manter-me em silêncio, pude trocar algumas palavras comigo mesmo (coisa que já não fazia há algum tempo) e mudar um pouquinho a forma de pensar e agir (ou seja, de viver mesmo). Afinal, nunca é tarde para isso, pois há "sempre os anos, sempre o amor, sempre as horas...".
Virginia Woolf: Dear Leonard, To look life in the face, always, to look life in the face, and to know it for what it is. At last to know it, to love it, for what it is, and then, to put it away. Leonard, always the years between us, always the years, always the love, always... the hours...
ALÉM DA LINHA VERMELHA
Há no cinema dois gêneros que eu particularmente tenho antipatia:
western e guerra. Não sei explicar o porque, de repente é por achar filmes desses dois gêneros repetitivos, sem graça mesmo. Lógico, pra toda regra existe uma excessão (ou mais de uma até). Em 1998 meio mundo parou pra falar que o cinema de guerra havia sido reinventado por
Spielberg no seu
O Resgate do Soldado Ryan. Foi uma badalação só. Tudo bem, a primeira meia-hora é de tirar o fôlego, o filme é muito bem feito, mas... que estorinha mais-ou-menos... E aquela bandeira norte-americana tremulando? Valha-me Deus, daria um ótimo curta de 30 minutos! Fui na esperança de ver um filmaço (ainda mais sendo fanático pelo
Spielberg) e acabei me decepcionando com "mais um filme de guerra". Mas eis que, no início de 1999, estreou por aqui um filme do qual eu já havia lido bastante a respeito e que, apesar de ser outro de guerra, me despertou muita vontade de ver. E depois de assitir
Além da Linha Vermelha no cinema, saí com a sensação de ter visto O FILME de guerra.
Para falar desse filme é primordial que se fale antes de seu diretor,
Terrence Malick. Desconhecido do grande público, esse texano de 61 anos é uma das figuras mais excêntricas do cinema atual. Assim como
Kubrick, ele filma uma vez na vida e outra na morte. Seu primeiro longa foi lançado em 1973,
Terra de Ninguém, um execelente filme estrelado pelo
Martin Sheen e pela
Sissy Spacek interpretando um casal de assassinos fugitivos. Em 78
Malick dá ao mundo o maravilhoso
Cinzas no Paraíso (não disponível em VHS no Brasil, mas lançado em DVD com o título
Dias de Paraíso), uma trágica estória de amor e traição passada em 1916. Se com o primeiro
Malick chamou atenção da crítica, com esse ele conseguiu atingir o status de gênio. O filme é de uma beleza extraordinária, tem uma reconstituição de época perfeita, a trilha sonora de
Ennio Morricone lindíssima e uma fotografia de cair o queixo (tendo inclusive ganho o Oscar nesta categoria). Pra se ter uma idéia do apuro visual do filme, o diretor fez questão de filmar a maioria das cenas no que se chama de "a hora mágica", que é o período do final da tarde e início da noite, dando à obra um colorido e uma luz única.
Somente 20 anos depois
Malick lançou seu terceiro longa-metragem. Como eu já havia visto os dois filmes dele antes e gostado bastante de ambos, logicamente quis ver este no cinema, mesmo sendo um filme de guerra. Mas qual não foi minha surpresa ao ver um filme de guerra totalmente diferente? A começar pela música de
Hans Zimmer, que não tem as cornetinhas e batidinhas de tambor típicas de músicas de filmes do gênero. Pelo contrário, a música deste é minimalista, envolvente, quase transcedental e ao mesmo tempo chocante, arrepiante, angustiante... Então temos a primeira parte, onde conhecemos dois soldados americanos refugiados numa aldeia de uma ilha não identificada, vivendo entre os nativos como se estivessem num paraíso. Chega um navio que os pega e lá vão os dois pra batalha na ilha de Guadalcanal, no oceano Pacífico. Em meio a tantos homens interpretando soldados, nos surpreendemos com atores do alto escalão fazendo pequenos papéis, como
Nick Nolte,
John Travolta,
Sean Penn,
Woody Harrelson,
John Cusack e
George Clooney entre muitos outros (inclusive os hoje consagrados
Jim Caviezel e
Adrian Brody). Tem tiroteios, bombardeios, gritarias e tudo mais? Sim, afinal é um filme de guerra. Mas tem muitas outras coisas que nenhum filme de guerra tem. O filme retrata aqueles soldados como seres humanos e não apenas máquinas de matar. Eles têm sentimentos, medos, dúvidas. Estão ali lutando contra os japoneses, matando o inimigo, mas sem saber realmente se aquilo é o certo mesmo. Eles se preocupam consigo mesmo, com os amigos que estão ali com eles, relembram seu passado, anseiam pelo fim daquela desgraça toda. O filme mostra o processo de bestialização do homem numa guerra, o quão triste é ver um jovem com uma arma na mão podendo tirar vidas sem ter motivos concretos para tal ato. A crueldade e ignorância que é uma guerra. Mostra o sofrimento e dor dos dois lados, tanto o americano quanto o japonês (é impossível não se chocar com as diversas reações dos nipônicos na cena em que seu campo é atacado). Nós escutamos, durante todo o filme, os pensamentos daqueles homens que foram obrigados a agir de uma forma que os ensinaram ser a certa e digna. E ouvimos também suas contestações, suas inquietações, suas dúvidas em relação aos seus atos e ao seu futuro.
Assim como
Cinzas no Paraíso, a fotografia de
Além da Linha Vermelha é um show a parte: em meio às imagens de animais silvestres e da natureza emoldurada pela luz enevoada, temos tomadas incríveis e maravilhosas, como aquelas dos soldados americanos se esgueirando pelos flancos dos montes, se escondendo do inimigo, onde a câmera parece planar pelo mato alto acompanhando-os. Ou seja, com a parte técnica perfeita e o conteúdo profundo (e até mesmo filosófico),
Além da Linha Vermelha pode ser considerado um filme de arte caprichadíssimo. Deu pra entender o porque tanta gente fez questão de trabalhar nesse filme por um salário pequeno apenas pelo prestígio (muitos outros famosos participaram mas ficaram de fora da montagem final - para saber quem são alguns deles, veja os agradecimentos nos créditos finais do filme).
Terrence Malick é com certeza o tipo do cara que, apesar das manias (não dá entrevistas e raramente se deixa fotografar), faz cinema com seriedade e paixão, dando aos seus filmes conteúdo e forma, realizando espetáculos visuais e sensoriais, mexendo com o nosso intelecto e nossas emoções. Já revi o filme algumas vezes, em vídeo, DVD e, apesar de longo (são quase 3 hoas de filme), nunca me canso. Mas a primeira vez foi inesquecível: ver
Além da Linha Vermelha no cinema foi uma experiência aterradora. Saí chocado, com aquela música da cena do ataque ao campo japonês ecoando na cabeça, me perguntando como alguém pode ter feito algo tão bonito sobre um assunto tão grotesco. Até me dar conta que, afinal, era uma estória sobre seres humanos como eu, numa situação absurda, com as mesmas dúvidas e dores que qualquer um sente. E vi então que o cinema era enfim capaz de realizar um filme de guerra decente.
P.S.: quero aproveitar pra agradecer aqui os mails e comentários me parabenizando pelo blog! Muito obrigado a todos pela força!!!!
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P.S. 2: a citação do filme que vai abaixo é de um soldado japonês. Não é uma fala, é um pensamento deste homem que é mostrado já morto no filme.
Soldado japonês: Are you righteous? Kind? Does your confidence lie in this? Are you loved by all? Know that I was, too. Do you imagine your suffering will be any less because you loved goodness and truth?