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17.6.05



ESPOSAS EM CONFLITO VS. MULHERES PERFEITAS

No último final de semana fiz duas ¿dobradinhas¿ em DVD com filmes que há muito eu queria assistir. A primeira foi com as duas versões de The Stepford Wives feitas para o cinema a partir do romance de Ira Levin, o mesmo autor de outro livro consagrado e levado às telas com sucesso, O Bebê de Rosemary.

A primeira versão, Esposas em Conflito, de 1975, foi um fracasso na época, mas se tornou cult com o passar do tempo. A controvérsia começou logo no início da produção, como pode ser conferido no documentário retrospectivo contido no DVD. O autor original do roteiro, o aclamado e premiado William Goldman (de Butch Cassidy, Louca Obsessão e outros sucessos) se mostrou descontente com a escalação da então esposa do diretor para um dos papéis (embora a sua personagem não fosse muito participativa no filme, todo o roteiro e alguns detalhes da produção tiveram que ser modificados pela alteração imposta). Para o papel principal, o diretor testou várias atrizes e queria muito que a estrela de seu filme fosse Diane Keaton, que chegou a aceitar o convite, mas o recusou no dia seguinte após consultar seu terapeuta, que lhe aconselhou não participar da produção porque não sentia boas vibrações no roteiro. A escolhida para a protagonista foi a gracinha Katharine Ross, uma das queridinhas do final da década de 60 e início da de 70, que viu sua carreira afundar nos anos 80 e reapareceu como a psicanalista da personagem-título em Donnie Darko (um dos melhores filmes de todos os tempos na minha humilde opinião).

A trama é envolvente e assustadora: uma família se muda de Nova York para a pequena cidade de Stepford, fugindo da agitação da grande metrópole em busca de paz e sossego no subúrbio (que nos Estados Unidos não tem a mesma conotação daqui). Joanna (Katharine Ross) é uma fotógrafa acostumada com o louco cotidiano e a falta de tempo na Big Apple que se vê totalmente deslocada naquele mundinho onde todas as esposas servem aos seus maridos com uma dedicação descomunal, vivendo em função da arrumação das casas e da criação dos filhos, sem participação ativa na vida social, sem muitos assuntos, quase sem vida mesmo, além daqueles afazeres domésticos. Ela faz amizade com Bobby (Paula Prentiss, parecidíssima com a Geena Davis), que também acha aquilo tudo muito estranho, e as duas começam a investigar o que poderia estar acontecendo na cidade, procurando até mesmo o envolvimento da Associação dos Homens de Stpford no sinistro comportamento das pessoas.

Assim como O Bebê de Rosemary, o filme é guiado todo na incerteza do que realmente está por trás dos fatos, onde há um clima de conspiração em que as únicas personagens aparentemente sãs são as duas amigas que desconfiam de todo mundo. Não é um filme de terror, mas tem seus momentos de tensão psicológica e a inteligência e a sutileza me prenderam a atenção do início ao fim. 

Já a segunda versão, Mulheres Perfeitas, de 2004, optou por um outro caminho (muito perigoso por sinal): o da comédia. Em se tratando da equipe envolvida, poderíamos esperar algo memorável, afinal Frank Oz já dirigira os excelentes A Pequena Loja dos Horrores e Os Safados entre tantos outros, o roteirista Paul Rudnick é o mesmo do engraçadinho Será Que Ele É? (também de Oz), no elenco estrelas como Nicole Kidman, Bette Midler, Glenn Close, Matthew Broderick e Christopher Walken e a produção é visivelmente esmerada. Mas algo deu errado no meio do caminho. Tenho que assumir que ri bastante em algumas cenas e com algumas falas. Nicole Kidman, excelente comediante como já havia comprovado em Um Sonho Sem Limites, abre o filme numa convenção de sua emissora de TV (a protagonista mudou de profissão nessa versão), proporcionando uma interpretação divertidíssima ao apresentar os programas que criou para a grade de programação (também hilariantes). Quase rolei de tanto rir da atuação caricata de Glenn Close, ótima como a anfitriã do casal Nicole/Matthew Broderick em Stepford ¿ sua aula de ginástica com exercícios coreografados por ela imitando os movimentos de uma máquina de lavar são impagáveis! É dela também uma das frases que mais me provocaram gargalhadas, ao final, envolvendo os nomes de três grandes empresas de tecnologia. Bette Midler é ela mesma: irreverente, se auto-parodiando, não incomodando. Enfim, o elenco não é o problema. O grande Q da questão é: porque tanta pressa em mostrar tudo? Achei que o grande barato do primeiro filme, que era deixar o clima de suspense e dúvida ir até o final, foi tirado desta versão, onde tudo é mostrado quase que de cara, sem nos envolver no mistério que há na trama. Foi um equívoco também terem estendido o final. Repetiram a seqüência clássica do supermercado do primeiro filme e foram além!!! Eu fiquei abismado... Vale a pena assistir para comparar com o original, mas com certeza não irá acrescentar muita coisa à sua ¿bagagem cinematográfica¿. 1/2

Concluindo... Em ambos os filmes a ¿moral¿ da história é a mesma. Mais do que uma história sobre o machismo que obriga as mulheres a serem objetos do desejo e da satisfação de seus homens, eu fiquei pensando mais além (pra variar) e enxerguei como uma crítica às regras de conduta que nossa sociedade impõe em qualquer tipo de relacionamento. ¿Algo te incomoda na pessoa com quem você está? Molde-a a seu estilo!¿ ou ¿livre-se de quem não lhe satisfaz 100% no convívio!¿. Interpretei como sendo essa a idéia principal de Ira Levin (apenas especulação, já que nunca li o livro), a de que, hoje em dia, é muito mais fácil descartarmos as pessoas do que nos ajustarmos a elas. Vivemos num mundo onde sabemos que temos defeitos, mas não aceitamos os dos outros; onde ter diferenças de pensamento não significa mais complemento e sim motivo de afastamento; em que as pessoas se fingem felizes ao terem que mostrar para a família, os amigos e a sociedade (e até mesmo para si mesmas) que vivem relacionamentos perfeitos quando na verdade estão se tolhindo, se privando de seus sentimentos e formas de pensar, de seus sonhos e desejos, de sua felicidade. Uma sociedade em que a maioria tem medo de ligar o (perdoem-me pelo vocabulário) ¿foda-se¿ sem pisar nos outros; que não valoriza o que de melhor as pessoas podem ter, ser e proporcionar; em que é muito fácil e rápido esquecer a importância de cada um, de suas atitudes, gestos e palavras. Uma sociedade de pessoas fast-food. De vez em quando comento com alguns amigos que desconfio muito de quem é bonzinho demais, perfeitinho demais... Nunca confiei nesse tipo de gente que não tem podres, que não comete(u) erros (e pior, se os comete não os assume ou sempre omite), que não faz merdas (nossa, eu tô demais hoje! Desculpem-me de novo!), que não mostra a cara de verdade e se esconde por trás da máscara de ¿boa gente¿. Não somos santos, somos humanos. Não somos autômatos, somos pessoas. Tenho medo de ¿robôs¿, de quem os cria e de quem se deixa transformar numa ¿pessoa de Stepford¿.




KILL BILL VOL. 1 & KILL BILL VOL. 2

A outra ¿dobradinha¿ que fiz no final de semana foi com os impecáveis Kill Bill de Quentin Tarantino. Tirei essas duas ¿falhas de caráter¿ da minha vida e tive que me render ao diretor com cara de fuinha: o cara é o máximo!

Tive a sorte de ver Cães de Aluguel no cinema, antes dele se tornar uma marca de sucesso na indústria. Me lembro da publicidade que o comparava ao Martin Scorsese dos anos 70. E era verdade: há muito tempo o cinema americano não via alguém tão despudoradamente violento e cínico sem gratuidade como o ítalo-americano que havia nos brindado com Taxi Driver e Touro Indomável. Adorei o filme e fiquei na expectativa para a próxima empreitada do ex-atendente de locadora (sentiram o paralelo? Tarantino, locadora; eu, locadora também; cinema... Já viram o futuro do rapaz aqui, né? Hehehehehe... Brincadeirinha... Sonho mas não deliro!). E eis que ele surge no Festival de Cannes de 94 com Pulp Fiction, uma desconstrução do cinema regada a drogas, sangue, diálogos implacáveis, uma trilha composta de músicas que voltaram às paradas de sucesso depois de décadas no esquecimento e a ressurreição da carreira do decadente John Travolta. Um fenômeno, o filme foi super festejado pelo mundo inteiro e transformou Tarantino em marca registrada.

Mas toda promessa tem que dar um tropeço... E este veio com Grande Hotel. Na realidade, este ¿filme¿ é composto de quatro episódios, sendo o último dirigido por ele. Mas mesmo sendo responsável por apenas 25% do fiasco, com certeza este filme se tornou uma mancha negra na sua carreira. Em 97 ele volta com Jackie Brown, um filme cool, com uma trama bem narrada mas ainda assim distante dos seus estouros anteriores.

Anos depois Tarantino consegue colocar em prática um projeto que ele só conseguiu viabilizar depois de convencer a todos que não era um cara de uma obra só, que ele poderia se reciclar. E ele veio com a corda toda, seu arsenal de referências à cultura pop, sua adoração pelos filmes de artes marciais da década de 70, seu humor ácido e certeiro, sua boa vontade em dar novo gás às carreiras de artistas sumidos das telas. A história da ¿noiva¿ interpretada por Uma Thurman, que quer se vingar do chefão da quadrilha da qual fazia parte pela chacina promovida por ele no dia de seu casamento, quando quase morreu (ela acabou ficando em coma por 4 anos), é recheada de momentos hilariantes, cenas de luta incríveis, uma seleção musical que mistura temas orientais com aquelas músicas de western-spaghettis, muito sangue jorrando pela tela (propositalmente over), uma seqüência em desenho animado (estilo anime) inesquecível, entre tantos outros atrativos. À essa altura do campeonato todos já viram os dois filmes. Eu devia ser um dos únicos seres da face da terra que ainda não havia se deliciado com o supra-sumo do Tarantino. Valeu a espera! Ver os dois filmes em seguida foi um dos melhores programas que já fiz! ADOREI!!!

20.5.05


Bill Condon é provavelmente um dos maiores talentos surgidos no cinema nas últimas décadas. O diretor/roteirista americano começou sua carreira na TV e sua primeira incursão no cinema como diretor foi em Candyman II. Quem diria que, anos depois, aquele sujeito que dirigira uma seqüência de um filme de terror iria presentear as platéias com uma das melhores cinebiografias? Deuses e Monstros, a vida do diretor dos clássicos Frankenstein e A Noiva de Frankenstein, James Whale, rendeu a Condon o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, além de indicações a Melhor Ator para Ian McKellen (que absurdamente foi parar nas mãos de Roberto Benigni num surto da Academia) e de Melhor Atriz Coadjuvante para Lynn Redgrave.

Cinco anos depois Condon adaptou para as telas o musical da Broadway Chicago. Certamente o seu roteiro foi um dos elementos-chave para tornar o filme perfeito do jeito que é. Ele conseguiu achar soluções que transpusessem a peça para o cinema sem torná-la enfadonha ou que parecesse teatro-filmado. Para conferir a genialidade da adaptação, mesmo para quem não teve (como eu) o prazer de ver Chicago no teatro, basta pegar o DVD e (re)ver o filme com os comentários do roteirista com o diretor Rob Marshall (aliás, esta é uma das grandes vantagens do DVD e que poucos usuários aproveitam).

No ano passado Condon mais uma vez se aventurou pela biografia com Kinsey, que ficou conhecido também como Vamos Falar de Sexo embora esse não seja um subtítulo e sim a tagline, o slogan promocional do poster do filme.

Albert Kinsey era um entomologista que, por percalços do destino, acabou se enveredando pelo mundo do estudo da sexualidade no século XX. Em 1948 ele lançou uma verdadeira bomba literária, Sexual Behavior in the Human Male, ou Comportamento Sexual no Macho Humano. Como era de se esperar, o livro foi um escandaloso sucesso e mostrou explicitamente o que todo mundo já sabia mas tinha medo de demonstrar: o sexo era praticado das mais diversas formas pelos americanos até então escondidos sob o manto dos "certinhos". Olha a tal da hipocrisia aí... Só que Kinsey queria ir além em suas pesquisas e já havia planejado outros livros sobre o assunto.

Não vale a pena falar muita coisa sobre a história do filme. Como toda biografia bem contada, o que vale é se surpreender com os acontecimentos na tela. E Condon soube conduzir de forma sensível sem ser piegas, sútil sem ser covarde, direto sem ser explícito... enfim, genial como sempre! Se Closer espantou muita gente pela sinceridade de seus diálogos, Kinsey segue a mesma linha e vai além! Mas não há gratuidade em suas cenas, todas se encaixam no contexto e o filme se torna um belo retrato da vida de um homem que nasceu com algumas décadas de antecedência (me pergunto se ele não seria ainda hoje considerado controverso).

Bill Condon conta com um elenco primoroso para dar vida a seus personagens. Liam Neeson se entrega de corpo e alma ao professor, numa interpretação corajosa e infelizmente pouco reconhecida. Laura Linney, como sua esposa, também está perfeita no papel, tendo até recebido uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante neste ano (embora eu ainda ache que ele deveria ter ido para as mãos da Natalie Portman*). O restante do elenco também está corretíssimo, com Chris O'Donnell, Peter Sarsgaard e Timothy Hutton como os auxiliares de Kinsey em suas pesquisas. Eu destacaria especialmente dois atores que não foram creditados na abertura do filme mas que deram vida a seus personagens com interpretações memoráveis: primeiro o John Lithgow, que faz o pai autoritário e conservador de Kinsey, numa composição especialmente marcante, revoltante e sensível (papel que poderia muito bem ter lhe rendido uma indicação para Melhor Ator Coadjuvante); depois a Lynn Redgrave como uma das entrevistadas de Kinsey.

A parte técnica do filme também é bastante caprichada. Logo no início notamos a sutileza de Condon, mostrando planos-detalhe que dizem muito do comportamento humano. Ele também utiliza inteligentemente alguns recursos visuais que lembram filmes da época em determinadas cenas e, nas partes em que o sexo deve ser mostrado, a estética usada não é agressiva e nem apelativa. A trilha sonora de Carter Burwell (o mesmo dos filmes dos irmãos Coen) é como sempre marcante e pontua as cenas belissimamente. Não posso deixar também de mencionar a fotografia e a montagem.

Um grande filme, sem dúvida alguma. Não "mexeu" comigo como Closer, mas deu o que pensar (e também rende várias discussões e conversas), além de ser um raro exemplar de cinema adulto e corajoso. E, ao final da projeção (os créditos finais guardam uma "surpresinha"), pude constatar, com alguns comentários e feições dos outros espectadores que estavam na mesma sessão, que o sexo continua sendo um tabu até hoje. Não que eu concorde em 100% com as atitudes e ideais de Kinsey e seus "seguidores" (assumo ser meio "exclusivista"), mas que ele é uma figura admirável isso ninguém pode negar!

26.4.05


O TERMINAL

O cineasta mais bem sucedido de Hollywood, Steven Spielberg, se reúne mais uma vez a Tom Hanks para contar uma história bastante simples (que tem como um dos roteiristas o grande Andrew Niccol de Gattaca e O Show de Truman) e que acabou decepcionando nas bilheterias. Assistindo somente agora a O Terminal pude constatar alguns motivos para o relativo fracasso do filme (lembrem-se: isso é a minha opinião... Podem discordar à vontade, mas foi assim que percebi):

1- o público em geral, e o americano em particular, encontra uma enorme resistência em aceitar filmes que mostrem algumas verdades. Mesmo que as histórias sejam fictícias, a maioria das pessoas que freqüentam cinemas está em busca de uma válvula de escape da realidade. Neste caso, apesar de mostrar alguns personagens secundários e figurantes representando pessoas de diversas nacionalidades, os maiores vilões do filme são os norte-americanos que, em sua prepotente "batalha pela manutenção do american way of life", oprimem os estrangeiros relegando-os à marginalidade. O Terminal mostra o lado xenófobo dos Estados Unidos, uma ignorância tremenda diante do mundo em que vivemos, quando a globalização torna outras culturas e costumes muito mais acessíveis do que há poucas décadas;

2- Spielberg se tornou famoso por trazer de volta a magia ao cinema. Tornou-se o símbolo maior de uma geração de cineastas surgida na década de 70, que rompeu as barreiras da fantasia e deu ao mundo obras recheadas de efeitos especiais e histórias cheias de ação e emoção, como Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida e E.T.. Na década de 80, já com uma carreira consolidada e uma polpuda conta bancária, ele inaugurou sua produtora, a Amblin Entertainment, para que através dela pudesse financiar filmes que ele gostaria de ver mas não tinha tempo de dirigir. Graças a ele e seus afilhados desta época, o público assistiu Gremlins, De Volta Para o Futuro, Os Goonies e tantos outros campeões de bilheteria. Já na década de 90, mais rico ainda, ele se deu ao luxo de abrir seu próprio estúdio, a Dreamworks SKG, junto aos sócios Jeffrey Katzemberg e George Geffen, de onde saíram obras como Beleza Americana, Gladiador e os seus próprios Minority Report, Prenda-me Se For Capaz e O Terminal. Só que, desde o maravilhoso A Cor Púrpura, Spielberg tenta perder um pouco do estigma de ¿papa do filme fantástico¿. Depois da saga da negra Celie (estréia no cinema da comediante Whoopie Goldberg), Spielberg fez os dramas O Império do Sol, Além da Eternidade, A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, conseguindo reconhecimento do público e da crítica (e também da Academia) como "realizador sério", porém nem sempre satisfazendo a todos. Eu ousaria dizer que este O Terminal é fruto de uma safra light do cineasta, onde ele abre mão de história que envolvam cenas grandiosas e efeitos especiais, dando maior valor às personagens e à trama, mas ainda assim caprichando na parte técnica. Portanto, fora do "padrão Spielberg de fantasia".

O Terminal conta a história de Viktor Narvosky, que saiu de seu país no leste europeu (fictício) para visitar os Estados Unidos e conseguir realizar um sonho (o qual não vale a pena comentar). Basta dizer que ele não vai para o país em busca de uma nova vida, não enxerga os Estados Unidos como a "terra prometida" (seria esse mais um motivo para a rejeição do filme pelos americanos?), terra das oportunidades e realizações. Ao chegar ao aeroporto J.F.K. ele, que não fala ou entende nada de inglês sem a ajuda de um dicionário/guia para turistas, Viktor é informado que, durante o vôo, seu país sofrera um golpe militar e, por causa disso, ele terá que ficar retido no local, impedido de entrar na terra do Tio Sam. E assim o tempo passa, Viktor tem que aprender a se virar para sobreviver, conhece funcionários do aeroporto, surge um interesse romântico (Catherine Zeta-Jones interpretando uma aeromoça)... Uma história bem simplesinha mas muito bem contada e com o apuro técnico habitual de Spielberg. Tom Hanks é um dos melhores atores em atividade hoje em dia e defende seu papel com a simpatia e competência de sempre. O filme ainda tem a coragem de terminar de forma inesperada, não que seja infeliz, mas que foge um pouco dos padrões hollywoodianos (ainda que siga o estilo lacrimoso de Spielberg). Se mostrou uma obra sensível e simpática. Não um grande filme, daqueles que ficarão para sempre em sua memória, mas que proporcionarão momentos de prazer.

Só para complementar: não sei se é muita viagem desta cabecinha aqui, mas enxerguei alguns paralelos entre a história de Viktor no aeroporto e a do próprio Steven Spielberg. Esse, quando ainda jovem, no final da década de 60, foi a uma excursão nos estúdios da Universal e lá encontrou uma sala vazia. Como sempre sonhou em trabalhar com cinema, o que ele fez: pegou uma placa, escreveu seu nome nela e pregou-a na porta, tomando posse da sala como seu escritório e, por algum tempo, se fez passar como um funcionário do estúdio até conseguir sua primeira oportunidade.

19.4.05


BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

Que o Jim Carrey é um ótimo ator eu já sabia desde o surpreendente O Show de Truman e o chocante O Mundo de Andy, onde ele teve a oportunidade de mostrar que não era apenas mais um rosto careteiro em comédias acéfalas.

E também já sabia que, vindo da mente do roteirista Charlie Kaufman (o mesmo do incrível Quero Ser John Malkovich e do legal porém superestimado Adaptção), não poderia esperar algo que se encaixasse nos padrões do mainstream hollywoodiano.

Infelizmente só pude ver agora em DVD, perdi no cinema, mas garanto: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é, desde já, um dos "filmes da minha vida"!!! Foi o segundo filme neste ano que conseguiu mexer profundamente comigo. Coincidentemente, assim como o primeiro, Closer, este também fala de relacionamentos. Falar alguma coisa "a mais" a respeito da trama seria estragar as surpresas do filme. A história de Joel Barish e seu romance com Clementine Kruczynski é genialmente conduzida pelo francês Michel Gondry. O roteiro brilhante de Kaufman toca fundo na "facilidade" que as pessoas têm de "deletarem" outras pessoas de suas vidas, de forma irônica, às vezes até aparentemente absurda, mas absolutamente sensível e verdadeira.

O elenco é mais do que perfeito. Como citado pelos atores numa entrevista contida no DVD, há uma inversão de papéis: Jim Carrey, no auge de sua maturidade como ator, tem uma atuação na medida exata de sua personagem, contida e dramática; Kate Winslet, habituada a viver mocinhas em filmes de época, dá vida e energia a uma espevitada Clementine, numa interpretação em que percebemos a atriz muito à vontade e até mesmo com uma espontaneidade que nos deixa dúvida se haveria outra capaz de fazer o papel (merecidamente ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz neste ano pelo filme). O elenco coadjuvante também não deixa a desejar. A direção de Gondry é um espetáculo visual... Oriundo dos vídeo-clips, ele aplica uma linguagem onírica e única, registrando-nos seqüências inesquecíveis que brincam com o tempo e o espaço.

Outro destaque do filme é a sua trilha sonora. A parte instrumental, composta pelo talento em ascensão Jon Brion (o mesmo de Magnólia) é uma das coisas mais impressionantes que já ouvi num filme. Numa deliciosa brincadeira musical, ele compôs temas que parecem ser executados de trás para frente! Absolutamente genial!!! Já a parte de canções (não compostas para o filme) também é fantástica. O diretor utiliza durante o filme somente canções com a palavra SUN em suas letras (recurso que não é inédito - John Landis já havia feito o mesmo em seu Um Lobisomem Americano em Londres colocando músicas com a palavra MOON), o que dá um charme a mais ao filme. E o que é a versão de Beck para "Everybody's Gotta Learn Sometimes"?!?!? MARAVILHOSA releitura de um clássico, inesquecível no filme e tocante ao final dele...

Ao final é impossível conter as lágrimas... Surpreendentemente, a Academia decidiu premiar o filme com o merecido Oscar de Melhor Roteiro Original, prova de que houve o reconhecimento de que é possível sim ainda se contar histórias de amor de forma sensível, ousada e original.

4.2.05


UMA EQUIPE MUITO ESPECIAL

Nessa semana eu revi na TV um filme que já estava esquecido embora eu tivesse gostado muito quando vi no cinema, Uma Equipe Muito Especial. Apesar do tema girar em torno de algo totalmente distante da minha realidade (e de 98% dos brasileiros), o baseball, o filme conseguiu me cativar de tal forma que depois, quando saiu em vídeo, foi "adotado" como um dos meus favoritos. A história é mesmo irresistível e o filme uma delícia de se ver!

Durante a II Guerra Mundial a maioria dos jogadores de baseball foi convocada para o front de batalha. Para manter o esporte ativo, os empresários têm a idéia de montar uma liga feminina. Para que isso se torne possível, alguns agentes saem pelo país em busca de garotas que possam atrair o público não só pelo talento como também pela beleza.É a oportunidade para duas irmãs, uma solteira e outra casada, sairem da cidade do interior e brilharem nos campos durante os difíceis tempos da Guerra.

Uma adorável besteira, bem ao estilo sessão da tarde, muito bem conduzida e interpretada (até Madonna está bem no papel!!!). Algumas situações e personagens são bastante divertidos como Marla Hooch, uma feiosa porém ótima rebatedora, as aulas de etiqueta das integrantes da liga, o filho capetinha que tem que acompanhar a mãe durante os jogos, o sempre excelente Tom Hanks como o técnico alcoólatra... e outras são mais emocionantes como a relação das duas irmãs (Geena Davis e Lori Petty, ambas antes da decadência) e a apreensão das jogadoras em relação aos maridos que estão na Guerra. E ao final, nos dias atuais, quando a liga é reunida, é quase impossível (pelo menos para mim que sou chorão mesmo) conter as lágrimas. Além disso, o filme tem uma fotografia linda, produção caprichada e, mesmo se tratando do baseball, um roteiro envolvente. E a "moral" da história, que devemos sempre valorizar os bons momentos e pessoas que tivemos em nossas vidas, embalada pela na época exaustivamente executada This Used To Be My Playground (de quem? Madonna, lógico!) acaba mesmo tocando lá no fundinho... Ou seja, um daqueles filminhos que pegam a gente de jeito que valem a pena ser vistos e revistos de vez em quando.

Mae Mordabito: (aos jornalistas) Hi, my name's Mae, and that's more than a name, that's an attitude.

Bom carnaval a todos e JUÍZO!!!

23.1.05


PERTO DEMAIS

Mais um filme pra lista "daqueles que me deixaram catatônico ao sair do cinema"... Perto Demais é uma adaptação de uma peça teatral já encenada no Brasil (com a Renata Sorrah se não me engano, me corrijam por favor caso eu esteja errado) e, é na minha opinião, um dos melhores filmes já feitos em que são mostrados, de forma realista e madura, os relacionamentos. Um trabalho magnífico não só do texto, como de direção e de elenco.

Mike Nichols volta aos bons tempos de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e A Primeira Noite de Um Homem e conduz de forma inteligentíssima os encontros e desencontros de quatro pessoas (dois casais). Os diálogos afiadíssimos, as atuações impecáveis, o esplêndido uso da música, adequadíssimas em todos os momentos do filme, de Mozart e Rossini a The Smiths e Prodigy, passando, orgulhosamente para nós, por Bebel Gilberto cantando Samba da Benção, Tanto Tempo e Mais Feliz na cena do vernissage da fotógrafa... o filme é perfeito! Ficou um embrulho no estômago e um grito engasgado na garganta ao fim da sessão. A arte imitando a vida de qualquer um de nós.

Ao mesmo tempo em que dá vontade de falar tudo sobre o filme, não consigo porque é uma obra pra ser sentida e, com certeza, serão muitas as opiniões a respeito. Ao sair do cinema eu prestei atenção curiosamente a alguns pontos de vista dos outros espectadores e foi bastante interessante (sem considerar aqueles que ousaram classificar o filme como "chato", "sem graça" ou "nada demais"... ignoremo-nos). E não é difícil "sentir" Perto Demais porque seus personagens são palpáveis, são verdadeiramente humanos, e conseguimos nos identificar em cada um deles, com seus defeitos, qualidades, conflitos, perversões, angústias, egos... Uma impressionante prova de que existe sim inteligência e sensibilidade no cinema.

Um parágrafo à parte para Natalie Portman. Sou louco por essa garota desde que a vi em O Profissional e sempre achei que ela seria uma das grandes atrizes da nossa época. E cá está a prova: aquela menininha cresceu e virou uma das melhores atrizes atualmente. Eu já esperava algo no mínimo excelente no trabalho dela, mas a cada frame ela conseguia me surpreender ainda mais e mais... e ao final da projeção, junto com o nó e o grito, ficaram também a admiração por uma verdadeira obra de arte do cinema, uma veneração ainda maior pela Natalie (ai se a Academia não indicá-la e não der o Oscar a ela...) e a música que inicia e encerra o filme. Realmente não consigo tirar um filme desse da cabeça... Desde já um dos filmes da minha vida!

The Blower's Daughter



And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new


Larry: You women don't understand the territory... because you ARE the territory.
Alice: It's not a war.


21.1.05


INFÂMIA

Agradeço ao amigo Gustavo por ter achado para mim na net o poster do filme! Valeu cara!. Infelizmente ele deixou de ser reprisado na TV há anos... Tive a oportunidade de vê-lo numa daquelas madrugadas em que a Globo terminava sua programação (que não era durante 24 horas) com grandes clássicos do cinema. E depois tive a felicidade de assistí-lo de novo... mas só... Ficou na memória um grande filme que também não foi lançado aqui no Brasil nem em VHS ou DVD e que me marcou.

A história é a seguinte: num colégio para meninas, surge o boato (da boca de uma das alunas) de que duas das professoras (interpretadas pelas grandes Shirley MacLaine e Audrey Hepburn, perfeitas) têm um caso amoroso. A fofoca vai crescendo e a repercussão da história abala as vidas deas duas mulheres.

O filme me chocou por mostrar aquilo que sempre foi negado: a maldade nasce sim com o ser humano, é inerente a ele. O caráter não vem somente da família, e sim da natureza da pessoa. E isso o filme mostra muito bem, expondo a má índole da menina que, para a sociedade em geral, por ser uma criança, ainda é um poço de inocência e candura. Outros filmes mostram isso também, como As Bruxas de Salem. No mundo em que vivemos atualmente, onde pais criam filhos tiranos, seria de extrema importância qque as pessoas vissem filmes como esse e se tocassem para orientar melhor suas crianças, os famosos "filhinhos de papai" que têm tudo nas mãos, para que não se tornem adultos deploráveis como tantos que estão por aí... e que têm a capacidade de chegar ao poder (o que é mais assustador ainda!).

Karen: All this isn't true. You've never said it; we'll forget it by tomorrow.
Martha: Tomorrow? That's a funny word. Karen, we would have had to invent a new language, as children do, without words like tomorrow.

15.1.05



AMADEUS

Sempre gostei de acompanhar a festa do Oscar. Na de 1985 um filme se destacou não somente por ter sido o grande vencedor do ano, mas também porque antes da transmissão, mostrouram uma enquente feita entre os americanos perguntando-lhes qual era o seu filme favorito daquele Oscar: a unanimidade disse Amadeus. O filme demorou MUITO para estrear no Brasil, se não me engano foi só em 1986 mesmo e lá fui eu matar a minha curiosidade...

Foi paixão à pimeira "assisitida"! Gente, me lembro até hoje da sensação que tive ao ver aquele filme no cinema, um misto de emoção, espanto, diversão, encantamento... Embora a história, baseada numa peça teatral, não seja fiel à realidade, o filme é tão bem orquestrado que nos faz crer que foi daquele exato jeito que tudo aconteceu. Salierei era a cara do F. Murray Abraham, Mozart era igualzinho (e ria como) o Tom Hulce...

Não satisfeito, fui assistir o filme mais duas vezes no cinema, sempre com a mesma admiração. O cuidado tomado com a direção de arte, que nos transporta para a época, assim como os figurinos, a precisão e inteligente uso da montagem, a fotografia genial... Uma obra-prima perfeita que depois foi revista várias e várias vezes em vídeo e DVD, uma aula de cinema, um marco, uma declaração de amor à musica em geral e à genialidade de um artista em particular.

P.S.: neste Natal ganhei um livro até muito legal, Falha Nossa - As Maiores Gafes do Cinema, e nele são resgistrados 3 erros em Amadeus: 1- aparece alguém de calça jeans atravessando o palco de um teatro durante uma apresentação de uma ópera; 2- durante uma apresentação, Mozart toca uma melodia ao estilo de Bach, o que seria impossível em 1780 já que Bach foi completamente esquecido de 1750 até 1800; 3- e mais um errinho de continuidade quando Mozart está experimentando perucas - uma hora seu rosto está sujo de talco, na outra não... Para mim, nada disso tira a majestade do filme!

Salieri: (descrevendo a maestria de Mozart) Displace one note and there would be diminishment, displace one phrase and the structure would fall.


5.1.05


A PEQUENA LOJA DOS HORRORES

Primeiro post do ano! Êeeeeeeeeeeehhhhhhhh!!!!!!!!!!!! E também o primeiro em muito tempo... Gente, é que eu estava TOTALMENTE, quase que 24 horas por dia, dedicado ao meu portfólio. Aproveito a deixa e anuncio: autores e editores literários (e quem os conheça), EU QUERO TRABALHAR FAZENDO CAPAS DE LIVROS E ILUSTRAÇÕES DE HISTÓRIAS INFANTIS!!!! Depois de feitos a justificativa e o anúncio, vamos ao post...

Dia desses eu estava conversando com um amigo no MSN e ele e disse que não tinha muita paciência para musicais. Não é exclusividade dele, há muitos anos muita gente não tem. Já foi, ao lado do western, um dos grandes gêneros que Hollywood produziu. Mas os anos 60 trouxeram um público que não estava mais muito a fim de ver gente cantando e dançando nas telas... Ultimamente as coisas têm mudado e o gênero vem se revigorando, para o deleite dos fãs. Não que ele tenha tido uma morte, mas a produção não era em grande escala como na década de 50 principalmente. Foi Moulin Rouge que deu ao musical o seu status de volta. A consagração definitiva foi com Chicago, vencedor de vários Oscars (ou Oscares, sempre fico em dúvida em relação ao plural) e taí o musical como grande gênero de novo.

Desde o início do seu declínio até a sua retomada com os exemplos acima citados, foram poucos os produtores que ousaram investir em musicais. Alguns foram bem sucedidos, outros nem tanto. Mas de vez em quando rolava unzinho pra satisfação da turma. E na década de 80, mais precisamente em 1986, veio A Pequena Loja dos Horrores, um filme extremamente delicioso e divertido apesar do título. Na verdade o filme é uma adaptação de uma adaptação... Primeiro veio, em 1960, The Little Shop of Horrors, de Roger Corman, uma produção super barata que levou meros 2 dias para ser filmada! Deste veio uma peça musical encenada off-Broadway e daí então o filme em questão.

O funcionário de uma floricultura compra uma planta exótica e a leva para a loja em que trabalha, onde a mesma se torna uma atração especial. Um dia Seymour descobre acidentalmente que a planta é carnívora e fala (e, conseqüentemente, como este é um musical, também canta)! Ele providencia a alimentação de Audrey II - nome dado em homenagem à amada de Seymour, Audrey, que também trabalha na loja mas já é comprometida - e a planta cresce mais e mais a cada dia, tornando também maior a sua fome...

O filme é conduzido por um trio de cantoras no estilo The Supremes que narram a história com canções (os personagens também cantam). As músicas são ótimas, compostas pelo mesmo Alan Menken que levou uma penca de Oscars (de novo!) na década de 90 por alguns desenhos da Disney. O elenco é mais que perfeito, desde os personagens principais até aqueles que fazem participações especiais, com destaque ao dentista sádico Orin Scrivello de Steve Martin e seu personagem masoquista interpretado por Bill Murray. Duas curiosidades: a atriz Ellen Greene é a única do elenco oriunda da produção teatral e este é um dos dois únicos filmes em que um personagem de Steve Martin morre.

Todo rodado em estúdio, o filme foi indicado a dois Oscars (ai meu Deus...) nas categorias Melhor Canção (para Mean Green Mother from Outer Space, composta especialmente para a produção) e Efeitos Visuais. Audrey II é realmente um primor em termos de animatronics, com movimentação super-natural tanto na sua "cabeça" (e reparem os lábios) quanto nas raízes/tentáculos. Em seu estágio adulto, Audrey II media na realidade o tamanho de um Fusca!!! Imaginem quantos técnicos não eram necessários para a manipulação da plantinha? Na época a computação gráfica estava engatinhando ainda...

Fico por aqui... Vou escutar mais um pouquinho da trilha... hehehe! Feliz 2005 pra todos e até a próxima (que, espero, será em breve)!!!

Audrey: (comentando o desaparecimento de seu namorado Orin, o dentista sádico e violento) It wouldn't be terrible at all. It would be a miracle. Now to mention the money I'd save on epsom salts and ace bandages.

6.12.04
O RECOMEÇO...

17 de junho de 2005. Provavelmente milhões de norte-americanos estarão formando filas quilométricas nos cinemas que estiverem exibindo Batman Begins. Em 1989 não foi diferente. Quando Batman de Tim Burton estreou e se tornou uma das maiores bilheterias de todos os tempos (apesar das várias críticas negativas e da implicância dos fãs do homem-morcego em relação à escolha de Michael Keaton para o papel principal).
Algo me diz que desta vez será diferente... não no que diz respeito ao sucesso do filme, mas, pelo jeito, este dará um banho no filme de 89... Christopher Nolan, o mesmo diretor de Amnésia, juntou um elenco de respeito e tem mostrado imagens com um visual de cair o queixo. O primeiro teaser-poster divulgado neste fim de semana segue a linha do trailer que já está rolando há algumas semanas e enche ainda mais a boca dos fãs de água.



1.12.04
Gente... tá babro! Muitos imprevistos nesta últimas semanas me mantiveram afastado de quase tudo - até mesmo de mim! Hehehehe! Espero muito em breve poder retornar ao ritmo normal.
Abraços a todos!

15.11.04
O Fantástico Mundo de Tim Burton...

Foi divulgado recentemente o primeiro poster daquele que promete ser um dos cult-movies do ano que vem: a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate dirigida por Tim Burton. Quem mais poderia, além dele, realizar tal feito? E há escolha melhor do que Johnny Depp para viver Willy Wonka? Charlie and the Chocolate Factory estréia só no meio do ano que vem...





UMA HISTÓRIA DE NATAL

Hoje é um dia meio "tenso" pra mim... Como eu havia dito antes, tá chegando o fim da correria de algumas semanas. Eu imaginava o que era ficar às voltas com planejamento, confecção, programação, mas nunca havia vivenciado essa maratona suada. E hoje será a prova de fogo: a gravação do comercial de TV. Faltam poucas horas para o início da gravação e cá estou eu escrevendo e rindo da ironia - eu, que fiquei anos na faculdade de cinema sem dirigir nem um curta (não por falta de vontade, mas sim por falta de oportunidade e condiçõe$), vou colocar em prática um pouco daquilo que aprendi na universidade num filme de 30 segundos. E, segundo corre a lenda, com os atores mais difíceis de se lidar: CRIANÇAS. Bom, se tudo correr como no teste de anteontem, poderei respirar aliviado. Caso contrário... seja o que Deus quiser! Mas os pequenos são tanto fofos, espertos e descolados que acho desnecessário ficar esquentando a cabeça agora. O pior é ter que lidar com algumas limitações que acabaram por não permitir que o roteiro do comercial fosse algo mais original. Ou seja, na minha primeira experiência como diretor eu terei que me contantar com a velha fórmula das propagandas de sempre: crianças-brincam-em-torno-da-decoração-de-Natal-e-trocam-presentes. (...) Pelo menos é uma primeira vez!

Foi então pensando no que poderia ser o comercial que me lembrei de um filme delicioso que quase ninguém conhece: Uma História de Natal. O mesmo diretor de Porky's, Bob Clark, conta a história ingênua e divertida, passada na década de 40, do garoto Ralphie, que sonha em ganhar de Natal uma espingarda de brinquedo. Só que todos, desde seus pais até um Papai Noel lhe dizem que este é um brinquedo perigoso que pode lhe machucar o olho (!). Enquanto isso, acompanhamos os preparativos da família para a comemoração do Natal. Tudo narrado em off pelo já adulto Ralphie.

O filme parece um quadro vivo do Norman Rockwell. Toda a ação, caracterização dos personagens, cenografia e fotografia evocam a graça, humor e inocência das figuras do grande artista gráfico americano. A simplicidade da história torna-a mais fácil de nos identificarmos com as situações já que o que há de mais significativo no filme é a ingenuidade e o sonho do menino que quer ganhar a espingarda e não entende o motivo de tanto alarde em relação a ela. O elenco é ótimo e conta com figuras não muito famosas mas bastante talentosas como Melinda Dillon (mais conhecida como a mãe do menino abduzido em Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Curiosamente o roteiro foi baseado no livro In God We Trust: All Others Pay Cash (Em Deus nós Confiamos: Todos os Outros Pagam em Dinheiro) de Jean Shepherd que é uma coletânea de contos publicados mensalmente na Playboy. Um filme obrigatório para todos que gostam de uma boa diversão à moda antiga.

[Ralphie está visitando um Papai noel numa loja, e tenso]
Papai Noel: How about a nice football?
Ralphie (adulto em off): Football? Football? What's a football? With unconscious will my voice squeaked out 'football'.
Papai Noel: Okay, get him out of here.
Ralphie (adulto em off): A football? Oh no, what was I doing? Wake up, Stupid! Wake up!
Ralphie: [depoois de ser empurrado por um escorregador ele pára no meio da descida e tenta escalar de volta] No! No! I want an Official Red Ryder Carbine-Action Two-Hundred-Shot Range Model Air Rifle!
Papai Noel: You'll shoot your eye out, kid.

7.11.04
Gente... sei que tô sumido, e por isso mando este recado. Não abandonei o blog não!!! É que tá meio difícil arranjar tempo pra atualizar ele: final de ano, camapnhas de Natal pintando, horas extras de trabalho, envios de layouts que voltam sempre com vários pedidos de alterações... Espero muito em breve poder voltar a postar aqui. Assim que tiver uma folguinha eu volto! Essa semana ainda coloco post novo aqui, ok? Abraços!

29.10.04
O que eu disse há alguns posts atrás? Aquele teaser-poster do próximo Star Wars era falso... Hoje foi divulgado oficialmente o primeiro. Confiram: